Postado originalmente na UOL em 19/08/2012
Treze é sempre tido como um número de azar. E isso pode ser verdade quando entrarmos na próxima edição do Ideb em 2013…
Como o MEC não obriga o INEP a fazer relatórios decentes sobre o IDEB, os jornais estão assumindo esta tarefa – à sua maneira. Com apoio de assessorias, estão processando dados e divulgando unilateralmente suas versões.
Por estes canais se fica sabendo que de 2009 para 2011 houve um aumento na porcentagem de escolas que não atingiram a meta do IDEB para 2011. No fundamental I passou de 26% para 33,57% e no fundamental II passou de 35% para 44,2%. E este é o dado mais importante: o que ocorre com cada escola e não apenas as médias municipais, estaduais ou nacionais.
Isso significa que a fase de desenvolvimento “fácil” pode estar no fim. Isso foi alavancado pela composição do IDEB, em parte, que permite a combinação com dados de fluxo, ou seja, mesmo que não melhore muito a aprendizagem, se eu aprovo mais e mantenho os alunos em fase, estudando na idade certa, então o Ideb melhora. No entanto, como advertimos há muitos anos, isto terá um fim e as redes passarão a depender cada vez mais do desempenho do aluno na prova para melhorar o Ideb.
Outra razão é que redes ruins, sob o impacto de cobranças e pressões, conseguem obter alguma melhora, mas logo este efeito passa e são necessárias outras ações, as quais geralmente não estão disponíveis. Aí, fica mais difícil avançar.
Isso somado ao fato de que a velocidade da curva de crescimento, na média geral, no Fundamental II é declinante nas últimas três edições do IDEB, 0.3; 0.2; 0.1 pontos, o salto em 2013 terá que ser de 0.3 para se cobrir a diferença entre o IDEB de 2011 que foi 4.1 e a meta para 2013 que será de 4.4 pontos. Ou seja, o desempenho nos próximos dois anos no Fundamental II terá que contrariar os últimos resultados e agregar 0.3 pontos. Mas se é declinante, como poderá fazer isso? Terá que ocorrer algo muito importante para alavancar este salto nos Estados. Incluindo abrir a caixa de maldades contra o magistério e o sistema público de ensino… Além de estreitar o currículum das escolas, focando nas disciplinas que são avaliadas e mesmo assim apostilando para que se ensine o conteúdo que cai nas provas, com grave prejuízo para a formação mais ampla dos estudantes, sua criatividade e autonomia.
Estes dois dados são um alerta.
No caso do fundamental I a situação é confortável pois já estamos com a meta para 2013 atingida que é de 4.7 pontos. Aqui, o que intriga é como um crescimento que já dura quase 10 anos não chega ao ensino fundamental II. Se os alunos há tempos estão aprendendo mais no fundamental I, porque quando mudam para o Fundametal II esta aprendizagem não aparece?
No caso do ensino médio a situação é pior que a do Fundamental II. Lá a velocidade de crescimento tem sido 0.1, mas em 2013 terá que agregar 0.2 pontos à nota de 2009 para atingir a meta. Mas desde 2005 ele não cresce mais que 0.1 em cada edição do Ideb.
Com mais escolas não atingindo a meta, com um déficit de nota acumulado a ser superado, se eu fosse o Ministro, comemorava menos… inclusive porque, se isso for verdade, esta situação vai explodir exatamente durante a campanha de 2014 para Presidente, quando se divulgar o IDEB de 2013.
quando sai o resultado de 2013
Ola. Não tenho esta informação. Mas se eu fosse o governo lançava logo, pois se não o fizer vai embolar com as eleições.
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