Aluno atira em colegas dentro de escola no Paraná

Um estudante de 15 anos, que declarou estar sofrendo bullying entrou armado no colégio e atirou em dois colegas de classe em Medianeira, no oeste do Paraná, perto de Foz do Iguaçu. Os dois estudantes baleados ficaram feridos, um gravemente, com tiros nas costas.

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Segundo informações, foram achadas mais armas na casa dos pais, os quais deverão prestar depoimento para esclarecer a origem das mesmas.

Isso levanta a questão do porte de arma que alguns andam defendendo que seja liberado no Brasil. Também não é mera coincidência que ocorra na região sul do país onde o ruralismo tem se apresentado agressivo, com ataque a bala à caravana de Lula que foi minimizado, ou ataques de “relho” com que foram agredidos membros da caravana e que, na prática, simbolicamente tem o mesmo efeito de uma arma.

Tais práticas representam um progressivo aumento da violência no país e que não vai parar na porta da escola. Empolgados em defender soluções radicais e violentas, alguns não estão levando em conta o efeito que tais propostas causam na juventude. O problema pode ser visto também nos Estados Unidos onde ataques mensais se repetem durante o ano letivo nas escolas.

Acontecimentos como este poderão levar a aumentar a presença de policiais no interior das escolas como nos Estados Unidos, gerando uma escalada de violência como ocorre naquele pais.

A escalada de violência, por vários motivos, faz com que, hoje, mais que nunca, se debata nos Estados Unidos a questão da colocação da polícia no interior das escolas, ao lado do endurecimento nas regras disciplinares destas (além de por em questão o porte de armas). O saldo deste caminho é apresentado por Sam Sinyangwe, diretor do Projeto Mapping Police Violence (citado por Giroux, 2018):

“Os dados (…) que existem (…) mostram que mais policiais nas escolas levam a mais criminalização dos estudantes e, especialmente, estudantes negros e pardos. Todos os anos, cerca de 70 mil crianças são presas nas escolas … [Além disso] desde 1999, 10 mil policiais adicionais foram colocados nas escolas, sem impacto na violência. Enquanto isso, cerca de um milhão de estudantes foram presos por atos que seriam punidos anteriormente com detenção ou suspensão, e os estudantes negros têm três vezes mais chances de ser presos do que seus pares brancos. ”

O ataque de hoje no Paraná não pode ser encarado como mais um caso a ser relativizado, só porque não interesse a alguns candidatos que ele seja debatido publicamente.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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