A (des)valorização do professor

Postado originalmente na Uol em 4/07/2011

O Movimento Todos pela Educação iniciou uma campanha pela “valorização do bom professor”. O viés está claro: apesar da pobreza, da falta de infraestrutura, das políticas governamentais mancas, do baixo investimento, etc., se o professor é bom, ele ensina. A idéia é preparar o campo para responsabilizar o professor. De Bush e antecessores até Obama, a estratégia foi sempre a mesma: ocultar as reais causas da baixa qualidade da educação transferindo a culpa para o professor. Esta visão prepara o campo também para submeter a categoria do magistério à vergonha, como forma de fazer política pública educacional. Colocar a nota do IDEB na porta da escola, como sugere Ioschpe – ver blog anterior – e depois, centrar as causas da não aprendizagem no professor.

A argumentação seguinte é previsível: acabe-se com a estabilidade do magistério para poder demitir os maus professores. O que aparentemente é proposto como valorização do bom professor é na realidade uma estratégia para expor o magistério e justificar o término da estabilidade no emprego e a demissão. Para os que têm dúvidas recomendo que vejam Waiting for Superman que está passando “on demand” na Sky – uma peça publicitária destas idéias regada a Bush, Michele Rhee e Bill Gates.

Acesse em: http://www.todospelaeducacao.org.br/bomprofessor

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About Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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