Cresce a reação à política de responsabilização nos EUA

Postado originalmente na Uol em 24/01/2011

Helio Schwartsman comenta na Folha de São Paulo de hoje (24-01-2011) o documentário americano Race to Nowhere (Corrida para Nenhum Lugar) de Wicki Abeles – um dos 20 de maior sucesso na história. O subtítulo é muito ilustrativo: “o lado escuro da cultura americana do desempenho”. O documentário mostra como as crianças e jovens americanos estão sendo triturados pela cultura da avaliação de desempenho americana. A responsabilização avança dos governos para as escolas, destas para as famílias e das famílias para os estudantes.

O que a Folha de São Paulo não diz é que o documentário não é apenas um filme, mas faz parte de um movimento para mudar esta situação nos Estados Unidos. É apresentado em comunidades, escolas e outras instituições seguido de debate. Já foi visto por mais de 100 mil pessoas e há uma carta a ser enviada para o Ministro da Educação americano ou autoridades educacionais locais, assinada eletronicamente via site, pedindo para mudar a política educacional americana.

Abaixo reproduzo o texto.

Prezado [Nome do destinatário aqui],

Estou escrevendo esta carta para pedir seu apoio para mudar a atual discussão e as políticas relacionadas destinadas a produzir a reforma da educação.

As escolas de hoje estão excessivamente centrada em resultados de testes padronizados,  rankings internacionais, “grades”, e um modelo quantitativo de educação. Os professores de todo o país estão privados de recursos e de apoio enquanto são confrontados com pressões federais, estaduais, distrital e de comitês que desvalorizam sua profissão e os força a “ensinar para testes.”

Como resultado, os alunos já não estão nas salas de aula para serem desafiados a resolver problemas complexos, pensar criativamente, trabalhar de forma colaborativa, explorar problemas com conexões no mundo real, ou desenvolver as habilidades cognitivas, sociais e emocionais necessários para serem membros saudáveis e participantes da sociedade.

A consciência destes problemas está aumentando e o catalisador é o documentário Race to Nowhere que expõe por que os alunos estão chegando à faculdade e ao local de trabalho doentes, despreparados e sem inspiração. Mais de 100.000 pessoas viram filme e se juntaram a comunidades de todo o país em um diálogo sobre a transformação de nosso sistema de ensino atual, colocando a saúde e o bem estar da nossa juventude como uma prioridade nacional.

Você está empoderado com a capacidade e o privilégio de fazer a diferença. Exorto-vos a participar no diálogo e a apoiar práticas e políticas de educação que promovam uma educação de qualidade para além de testes padronizados e um currículo que ajude os estudantes de hoje a se tornarem criativos, inovadores, inventivos, cidadãos participativos.

Estou ansioso para um retorno seu nas próximas semanas.

Atenciosamente,

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability e marcado . Guardar link permanente.

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