O relatório que Dimenstein escolheu para o Brasil

Postado originalmente na Uol em 14/03/2011

Em seu site catracalivre Dimenstein disponibiliza relatórios para inspirar o Brasil a adotar formas inovadoras de organizar a educação que ele chama de “modelos de iniciativas educacionais”- baseado nas escolas charters americanas. Ele faz coro com a Parceiros da Educação que sugere a adoção deste tipo de escola em seu projeto educacional para o Brasil.

Entre seus relatórios está um estudo feito pela McKinsey/Harvard que tem a pretensão de mostrar a superioridade das escolas charters sobre o ensino público, no estado de Massachusetts. Se estou certo, Dimenstein encontra-se fazendo estágio em Harvard e deve ter tropeçado no início de janeiro com o lançamento deste relatório lá mesmo. Decidiu compartilhá-lo com os brasileiros. Sobre as outras sugestões em seu site, me ocuparei delas em outras postagens.

Entretanto, Dimenstein não percebeu que tal relatório não teve impacto até agora dentro dos Estados Unidos e nem mesmo foi objeto de uma revisão por centros ou pesquisadores independentes. Nem percebeu mesmo que há outros relatórios que ele poderia ter escolhido para orientar os reformadores empresariais que deverão se reunir em breve no MAM em São Paulo para um simpósio com sugestivo nome: “O negócio da educação no Brasil”. Relatórios saem aos montes nos Estados Unidos e nem todos têm boa saúde. É o caso deste que ele escolheu para compartilhar conosco.

Poderia ter escolhido outro, mais abrangente, que avaliou as escolas charters em 16 estados americanos – não incluído aí Massachusetts – e que conclui que em apenas 5 estados entre os 16, há resultados que apontam claramente a superioridade das escolas chartes sobre as escolas públicas americanas. Poderia recorrer também a uma revisão de estudos sobre escolas charter feita pelo  National Education Policy Center sobre o estudo da Brown Center on Educational Policy at Brookings, ao invés de pegar o primeiro relatório que estava à mão em Harvard.

Mas a questão não é só de comparação entre desempenho de alunos de um e de outro tipo de escola, como veremos em artigo abaixo. Fosse assim, Dimenstein poderia ter citado o recente estudo de Indiana e não de Massachusetts, feito pelo CREDO. Pelo menos neste, embora ainda existam problemas, as escolas charters aparecem melhor na foto. Como veremos em matéria que segue, entretanto, a questão não é somente a comparação entre notas dos alunos que estão estudando em um tipo de escola e em outro. Isso é reduzir demais a questão educacional. Há outros fatores – como as concepções de educação em jogo.

Para uma análise crítica do estudo de Massachusetts, escolhido e divulgado por Dimenstein disponibilizo link abaixo.

Estudo sobre as Escolas Charter de Massachusetts não é mencionado no Boston Globe: isso só pode significar uma coisa

Sábado, 12 fevereiro, 2011

Pago com verba federal reservada para o avanço da cruzada contra a escola pública, o Estado de Massachusetts, pediu a pesquisadores da McKinsey treinados na CEPR de Harvard para analisar como está o desempenho das escolas charters do estado em comparação com a pontuação das escolas públicas. Os resultados foram objeto de uma recepção e discussão menor no painel em Harvard no início desta semana, e o fato de que o Boston Globe não relatou isso só pode significar que os resultados não são nada bons para as escolas charters.

Continue lendo em (inglês):

http://www.schoolsmatter.info/2011/02/massachusetts-charter-school-study-not.html#comment-form

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Privatização, Responsabilização/accountability e marcado , . Guardar link permanente.

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