O Exame, a CNTE e o mundo da fantasia…

Postado originalmente na Uol em 15/07/2010

A CNTE continua sua tarefa de apoio ao Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. Continua arranjando desculpas para apoiar o MEC. Reconhece que pode haver o problema do Exame virar avaliação do professor, entretanto, como já afirmamos em outras postagens, este não é o principal problema do Exame.

 A CNTE aponta para algo que não é relevante e com isso retira a conversa do ponto central: o estreitamento do currículo de formação do professor a partir da divulgação da matriz de referência – os 20 mandamentos do bom professor que estão sendo elaborados pelo INEP. Esta é a questão que a CNTE desconversa. O problema não é o Exame vir  a avaliar o professor, mas sim orientar a formação dos professores nas instituições formadoras, ou seja, o Exame vai virar currículo de fato. E se o Exame é só para ingresso, como afirma a CNTE, não deve avaliar nem professor e nem instituição formadora. Mas, note-se que isso não irá impedir que as instituições espelhem-se no Exame para montar seus currículos. O efeito vestibular e o efeito cursinho vão se instalar, independentemente da vontade do MEC e da CNTE. A única forma de evitar isso, é não ter Exame.

Se não é avaliação, a CNTE deveria propor ao MEC eliminar o dado sobre a instituição na qual o professor foi formado, por exemplo. Dessa forma, a instituição de origem não poderia ser identificada e avaliada por um Exame que é inadequado para tal propósito. Já que a CNTE reconhece que ele não deve avaliar o professor, também não deveria avaliar a instituição que o formou, porque não tem esta função e nem é adequado para tal. A Instituição deve ser avaliada dentro do SINAES.

Isso implica em que o INEP abra, para o comitê de governança, a base de dados que será constituida para cada participante do Exame.

A CNTE continua vivendo a fantasia de que um Exame poderá potencializar uma Carreira Nacional do Professor. Acredita no MEC quando este diz que o Exame não é para avaliar o professor (mas não fala que não avaliará a Instituição formadora do professor, produzindo estreitamente curricular inevitável). Finalmente, acha positivo o debate.

Também incluiu entrevistas na Voz da Educação, rádio da CNTE, na mesma linha de argumentação. Trouxe até aluna recém-formada de pedagogia para defender o exame.

A propósito do Comitê de Governança do Exame, qual a sua composição? As principais entidades científicas participam diretamente ou via um representante de todas elas? Se for esta última: queridas entidades científicas, vocês levaram um belo chapéu…!

Enfim, deixe-se registro do momento, para conferirmos no futuro.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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