A desigualdade social como demagogia…

Postado originalmente na Uol em 11/07/2010

A desigualdade social só é lembrada pelo mercado quando ele vê nela possibilidade de auferir mais lucros. Mais de 20 anos de aplicação destas soluções estão disponíveis para análise na literatura americana. Conforme antecipei em outras mensagens, vai se fechando o cerco para se fazer uso destas soluções falidas, ensaiadas pelos governos liberais de Reagan, Bush pai, Bush filho, Tatcher, Pinochet e outros, e que alguns desejam ver aplicadas no Brasil.

Arnaldo Niskier, volta à carga a favor delas na folha de hoje 11-07-2009. Segundo o presidente do CIEE/Rj – Centro de Integração Empresa-Escola – “a má qualidade da educação pública opera a favor da desigualdade social; são aconselháveis parcerias público-privadas para o setor”. Note então como funciona: primeiro encontro um motivo politicamente correto – corrigir as desigualdades sociais que eu criei, como sistema social, e depois agrego o acesso a verbas públicas na forma de parceria público-privada, o motivo real. Não se fala em aumentar o investimento público na escola pública, mas em diminuir a desigualdade social gerando lucro. Ora a educação não tem esta capacidade de regenerar a sociedade pervertida pela própria atividade econômica. Fala-se muito em que a educação tenha alavancado o desenvolvimento econômico em alguns países, mas que tenha diminuído a desigualdade social, está para ser provado. Todos sabemos que o processo produtivo consome cada vez menos mão de obra. Não há precisão de que as favelas diminuam seu crescimento, segundo a ONU.

Os defensores dos vouchers, charters schools ou seja toda sorte de privatização branca, falam que tais medidas geraram “ganhos apreciáveis” ou seja, quando são pequenos eles são transformados em “apreciáveis”. Se fossem de fato ganhos importantes, seriam “enormes vantagens”. Já mostrei aqui em outras postagens como o país que mais se exercitou nisso amarga hoje estagnação no PISA e meros 4 ou 5 pontinhos a mais nas avaliações internas, num período de 15 anos – os Estados Unidos, de onde saem tais idéias. Além disso, destruiu seu sistema público de ensino (Ravitch, 2010).

De fato o que está em jogo é como a iniciativa privada pode ampliar o mercado educacional através de acesso fácil ao dinheiro da viúva… o governo. A desigualdade social é apenas um argumento oportunista e demagógico, destinado a ocultar os reais motivos…

Abaixo aceso ao texto de Niskier.

Folha de São Paulo, 12/07/2010 – São Paulo SP

O que falta é vontade política

A má qualidade da educação pública opera a favor da desigualdade social; são aconselháveis parcerias público-privadas para o setor

 Leia a matéria em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1107201008.htm

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Postagens antigas da UOL, Privatização, Vouchers. Bookmark o link permanente.

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