Educação infantil: qualidade sem negociação

A. Bondioli, pesquisadora italiana da educação infantil, está no Brasil, se não me equivoco, a pedido do governo brasileiro para ajudar na questão da avaliação da educação infantil. Como é sabido, ela é criadora do conceito de “qualidade negociada”. Quando propusemos o conceito de responsabilização participativa em contraposição à accountability, fizemos uso desta dimensão na medida em que ela permite uma ampla negociação entre a comunidade interna das escolas com o poder público, cada um assumido suas responsabilidades. Mais de 50% das variáveis explicativas do desempenho do aluno estão fora da escola. Isso é bem diferente da proposta dos reformadores empresariais da educação que querem que o professor dê conta dos problemas da qualidade da escola.

Pois bem. Estou agora na reunião anual da ANPED e o que ouço é que o governo retirou o termo “negociada” da proposta de “qualidade negociada” da autora. E isso com a autora por aqui mesmo. E ao que parece não há reação.

Ora, sem a palavra “negociada” a proposta fica completamente manca e não será distinguida de nenhuma outra.

Mais estranho ainda é que havia uma comissão tratando da avaliação do ensino infantil no MEC e… sumiu… não foi mais convocada. A mesma coisa ocorreu no Conselho Nacional de Educação: havia uma comissão que discutia a avaliação da educação básica e agora não há mais. Não há convocação.

O governo Dilma se isola cada vez mais. Não vale lembrar disso só em 2014 nas eleições, não há mais espaço para voto de confiança.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Avaliação na Educação Infantil, Responsabilização participativa e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para Educação infantil: qualidade sem negociação

  1. ILANA CARDOSO DE GOUVEIA disse:

    SEM NEGOCIAÇÃO MESMO!!

    http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/10/01/em-dia-de-tumultos-camara-aprova-plano-de-cargos-e-salarios-do-magisterio-do-rj/

    http://www.elpais.com.uy/mundo/policia-rio-dispersa-gases-protesta.html

    Publicado em 01/10/2013
    “Ontem, segunda-feira (30/9/2013), estive com outros parlamentares na Câmara municipal do Rio de Janeiro. Nós não fomos para debater o plano de cargos e salários, pois este debate cabe à prefeitura, aos professores, à sociedade, que em nenhum momento foi chamada, pois não se fez audiência pública com a devida participação da sociedade, e ao parlamento municipal. O quadro de ontem era de grande conflito, com histórico recente do final de semana que ninguém quer guardar na memória, professor apanhando da polícia militar, professor sendo retirado da Casa legislativa à força. Não é uma imagem que contribui com a democracia, também não contribui para a educação pública. É lamentável que a gente chegue a este ponto: ter polícia enfrentando professor. Não há cenário aceitável para isso. Tentamos interceder, a pedido dos educadores, buscar o diálogo para que não se repetisse no dia de ontem o cenário de violência de sábado. Entendemos que um dos principais motivos para o conflito era a votação do plano de cargos e salários marcada para hoje, terça-feira, e fizemos uma nota, assinada por parlamentares de diversos partidos, para que o prefeito pudesse nos atender e dialogar. (…) O prefeito disse que não nos receberia para falar sobre esse assunto. Assim, o governo e maioria da Câmara insistem e vão manter a votação para hoje, podendo gerar um conflito tamanho.
    “É uma sabedoria ter humildade. Cabe ao bom político, cabe ao bom representante, cabe ao bom prefeito entender quando pode e deve recuar. Isso não é um defeito. Mas o prefeito muitas vezes age como uma pessoa absolutamente mimada, de uma natureza absolutamente autoritária, que justifica todas as suas atitudes porque foi eleito? E qualquer pessoa que faz um questionamento é dita que não sabe perder uma eleição? Sabemos, cumprimos o nosso papel. Ele tenta desqualificar o movimento”, afirmou Marcelo Freixo no plenário desta terça-feira (1/10/2013).

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