O fracasso das políticas dos reformadores

Aqui você encontra um excelente resumo do fracasso das políticas de responsabilização americanas, à luz dos dados disponíveis. O resumo em si já é esclarecedor e para o leitor familiarizado com o inglês, há uma série de links que levam à pesquisa de fundo.

• O que sabemos agora sobre repetência : a repetência cresce em popularidade em todo os EUA, representado por políticas de responsabilização na Flórida. Mas como tem sido demonstrado por quatro décadas de pesquisa, a repetência não atinge os objetivos que seus defensores têm afirmado, e pode causar danos.

 • O que sabemos agora sobre as escolas charters [escolas públicas administradas por empresas privadas através de concessão] : apesar do aumento do apoio e do financiamento para as escolas charters, elas não demonstraram ser um fator determinante na qualidade da escola (quando comparadas com escolas públicas tradicionais [ TPS ] ); as escolas charters têm produzido uma série de resultados essencialmente indistinguíveis das TPS, mas as escolas charters têm aumentado a segregação (por classe e raça), bem como a segregação de crianças aprendizes da língua inglesa [migrantes de outros países] e alunos com necessidades especiais (veja pesquisa aqui).

 • O que sabemos agora sobre a escolha da escola pelos pais (vouchers) e sobre a concorrência entre escolas : décadas de uma série de compromissos com a escolha da escola (especialmente os vouchers) resultaram em um crescente corpo de evidências mostrando que ela não consegue atingir os objetivos de seus proponentes (veja uma análise crítica aqui). A escolha, no entanto, tem sido associada, como as escolas charter, à redistribuição de populações de estudantes e aumento de segregação. De forma mais ampla, a pesquisa de programas que promovem a concorrência entre escolas mostra que eles causam danos e não aqueles resultados positivos que seus defensores alegam.

 • O que sabemos agora sobre os métodos de valor agregado (VAM) na avaliação dos professores : embora seja justo dizer que o julgamento da VAM ainda está em curso, até mesmo os defensores que exploram o potencial da VAM expressam cautela sobre seu uso em políticas de alto impacto (ver considerações cautelosas da validade e confiabilidade da VAM). Em termos gerais, a implementação de políticas de alto impacto com VAM é certamente prematura, e provavelmente uma perda significativa de tempo e dinheiro que seria melhor gasto em problemas mais prementes e claramente definidos.

 • O que sabemos agora sobre a qualidade dos professores : as questões da qualidade dos professores contam, mas a qualidade do professor é ofuscada por fatores externos à escola e fora do controle delas. O problema verdadeiro da qualidade do professor nas escolas é a sua atribuição já que os estudantes pobres, estudantes afro-americanos, latinos, aprendizes da língua inglesa e alunos com necessidades especiais são desproporcionalmente atribuídos aos professores mais inexperientes, não certificados ou sub certificados.

 • O que sabemos agora sobre pagamento por mérito: simplificando, pagamento por mérito não funciona (e muitas vezes pode ter consequências negativas poderosas). Ela não funciona na educação (ver Pink também), mas o mundo dos negócios tem reconhecido isso também.

 • O que sabemos agora sobre a Teach for America (TFA): a base de pesquisa crescente sobre a TFA revela um cenário misto, mas também mostra que a defesa da TFA é enganosa (ver também “três maiores mentiras”). Além disso, a TFA contribui negativamente para alguns problemas centrais que a educação pública enfrenta: evasão de professores; rotatividade do professor; e atribuição desigual de professores (alta pobreza e estudantes das minoria sendo atribuídos desproporcionalmente a professores novos e não certificados).

 • O que sabemos agora sobre o SAT : o SAT continua a ser um preditor mais fraco do sucesso do calouro na faculdade (college) do que o GPA e também não contribui positivamente para a percepção pública da qualidade da escola. As aulas de preparação para o SAT também criam um dreno do tempo da escola e dos recursos, os quais poderiam ser melhor utilizados para tratar de outras necessidades. O SAT continua sendo viezado por raça, classe e gênero.

 • O que sabemos agora sobre a responsabilização, standards e testes de alto impacto: depois de trinta anos de responsabilização, standards e testes de alto impacto em 50 experimentos estatais independentes, a base da pesquisa é clara: ” a ausência ou presença de standards nacionais rigorosos não diz nada sobre equidade, qualidade da educação, ou a prestação de serviços educacionais adequados, e não há razão para esperar que o CCSS ou qualquer outra iniciativa de fixar standards seja uma reforma educacional eficaz por si mesma”(Mathis, 2012).

 • O que sabemos agora sobre as “escolas milagre”: praticamente todas as escola designadas como sendo um “milagre” pelos defensores ou pela mídia (o milagre doTexas, o milagre de Chicago, o milagre do Harlem, o milagre da Florida, etc) foram desmascaradas pela análise mais atenta. Alegações de que algumas escolas de alta pobreza são excelentes (e, portanto, todas devem ser também excelentes) têm sido expostas como enganadoras: “apenas 1,1 por cento das escolas de alta pobreza foram identificados como de alto desempenho.

 • O que sabemos agora sobre a educação como um agente de mudança social : simplesmente – “você está em melhor situação nascendo rico independentemente de você ir para a faculdade (college), do que ter nascido pobre e obtido um diploma universitário” (Bruenig, 2013, com base em dados de “Perseguindo o sonho americano“, Pew Charitable Trusts).

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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