Nos próximos 45 dias precisamos convencer o maior número de pessoas sobre a importância de apoiarmos as candidaturas progressistas e reeleger Lula. No meu caso, também apoiarei candidaturas do PCdoB a Deputado Estadual no Estado de São Paulo como Gustavo Petta.
O PCdoB é um partido que possui conhecimento acumulado oriundo das grandes experiências de transformação social construídas na União Soviética, em Cuba e na China, estando, portanto, em condições de propor políticas de transformação social que aprofundem a democracia na base da sociedade, ampliando os centros de decisão.
Isso não é pouca coisa, se considerarmos os rumos que o mundo atual está tomando com o declínio da hegemonia americana e a contínua crise estrutural do capital. As taxas médias de lucratividade da produção mundial – descontado o frenesi fictício das bolsas – caíram quase pela metade em relação aos anos 60. Cresce o desespero nas elites bilionárias em relação ao futuro. Este fato, se não explica tudo, não pode ser retirado da equação. Não é hora para pessimismo, mas também não é hora para ingenuidades. Ambos desmobilizam.
O neoliberalismo foi, ele mesmo, um grito de desespero do capital que agora se degenera em uma política de confronto mundial sob influência de uma extrema direita neofacista e belicista. A corrida armamentista está no auge. Os Estados Unidos acabam de criar uma força multinacional com drones, sob seu comando, para missões de ataque aéreas, marítimas e submarinas.
Apesar disso, vivemos uma era em que a lucidez de alguns países está construindo uma nova ordem mundial baseada na multilateralidade que respeita a soberania dos países e não mais baseada no alinhamento cego aos interesses dos países hegemônicos. Nesta nova realidade que se constrói, como testemunhamos recentemente no Brasil, as elites de países periféricos temem ficar desamparadas e clamam pela proteção dos centros hegemônicos que sempre as protegeram.
Figuras grotescas e despreparadas são introduzidas na política, do dia para a noite, como os mileis, bolsonaros, trumpes, zelenskyes, dukerques e outros com a finalidade de defender a velha ordem e obter uma procuração dos centros hegemônicos para produzir guerras, interferir em eleições de países, aplicar sanções e tarifas. Elas sonham com um neocolonialismo, um tecno-feudalismo. Querem deter a multipolaridade que avança colocando em risco este novo sonho.
As mudanças “revolucionárias” que a direita conservadora/autoritária propõe visam, de fato, perpetuar pela força a velha ordem social comprometida com a discriminação, a desigualdade e a exploração, agregando, agora, uma roupagem de ineditismo destinada a “normalizar” sua pauta antidemocrática. Embutida neste teatro está colocada, como “novidade,” a descoberta de uma espécie de “justiça meritocrática dos mercados,” onde cada um está por sua própria conta e “mérito”, em substituição à justiça social. A riqueza seria produto do mérito; a pobreza, produto da preguiça. O Estado, para eles, atrapalha o empresário meritoso cobrando impostos para “sustentar vagabundos” que não se esforçaram, ou seja, um pessoal que atrapalha o funcionamento “normal” do capital e cria problemas sociais. Esta pobreza, induzida pelas desigualdades sociais, deve ser colocada em mega prisões; as escolas públicas estatais são perigosas e deveriam ser privatizadas e conduzidas pelos empresários, na mesma lógica de “dar independência ao Banco Central”.
O capital, depois de mais de 200 anos de uma tímida democracia liberal, concluiu que “democracia e liberdade são incompatíveis”. Nesta fase, aquilo que é vital para o capital, tem que estar sob controle direto do capital, pois o Estado é uma instância suspeita.
Portanto, se queremos sair deste atoleiro progressivo, precisamos, sim, do conhecimento obtido nas experiências socialistas e acumuladas historicamente para construir uma nova ordem social que amplie a democracia, a solidariedade e a justiça social. O capital teme a democracia, portanto devemos responder com mais democracia popular.
Porém, além desta questão mais ampla, há também um lado imediato que diz respeito, entre outras coisas, à vida das pessoas no presente momento. É preciso também adotar e sustentar ações, como tem proposto o governo Lula, que diminuam o sofrimento gerado por este momento de crise, e para isso é fundamental ter as instâncias democráticas atuais compostas por pessoas que saibam lidar adequadamente com este momento e principalmente saibam conduzir ações que reduzam o sofrimento das pessoas, lutando para gerar melhores condições de vida.
Para tal, é preciso eleger pessoas que impeçam o esvaziamento destas instâncias decisórias democráticas, porque este é o método usado pela direita política de forma a avançar sua agenda antidemocrática. Como dissemos antes, para esta direita, as instâncias democráticas são opressoras da liberdade individual e devem ser minimizadas ou eliminadas.
É preciso ter claro que o capital e seus beneficiários, ante a crise instalada, se arrependeram até mesmo da tímida democracia liberal que eles mesmos inventaram e agora pretendem reduzi-la ainda mais. Chegaram à conclusão de que democracia e liberdade não são compatíveis e optaram pelo libertarianismo.
Neste quadro, o governo Lula e o PCdoB têm dado provas de uma incansável luta para resistir e reduzir o impacto desta crise na sociedade.
Não é sem razão que a educação tem ocupado lugar de destaque nos governos de direita, pois os processos educacionais de formação da juventude de um país afetam a solução das questões estratégicas e táticas mencionadas antes. E é por isso também que a educação é sempre um campo em disputa, pois falar da formação da juventude é falar do próprio futuro do país, já que a educação espelha um projeto de pais que começa a ser vivenciado na organização do trabalho escolar.
Hoje, a educação pública em vários estados é uma área disputada por forças autoritárias que querem vinculá-la às suas concepções antidemocráticas. A educação paulista, por exemplo, é um campo onde se pode sentir as ações destrutivas do governo Tarcísio: especialmente na privatização da educação pública (seja pela terceirização ou pela militarização), pois estas medidas visam colocar a formação da juventude nas mãos de agentes empresariais “seguros” moldando a juventude às suas propostas antidemocráticas. Destruir a educação pública privatizando-a (para empresários ou militares), visa destruir o pilar central da democracia e colocar o capital diretamente no controle da formação dos jovens.
Portanto, lutar contra a privatização da educação pública é essencial, pois a terceirização das escolas (que atingirá todas as escolas do estado de São Paulo) proposta pelo governo Tarcísio, é um primeiro passo (junto com a plataformização) na direção da eliminação do caráter público da educação paulista. Mas há mais.
A terceirização é um “cavalo de troia” que levará a outras medidas mais destrutivas para a educação pública paulista. Entre elas levará, em um segundo momento, a facilitar a introdução de “vouchers” que retiram o dinheiro do orçamento da escola pública e o realocam diretamente aos pais para que eles paguem, com estes recursos públicos, a educação de seus jovens nas escolas privadas de sua preferência, minando definitivamente o orçamento da educação pública, como acontece hoje nos Estados Unidos. Quando os pais se dão conta de que com o dinheiro dos vouchers só podem colocar seus filhos em escolas particulares medíocres, é tarde, pois a educação pública já está desfinanciada e sucateada.
Estas são algumas das batalhas que estão em curso.
E por isso, a próxima eleição é decisiva para o país. Não há tempo para improvisação. Temos que apoiar candidatos que compreendam a urgência desta complexa situação em seus vários aspectos e estejam dispostos a usar sua experiência para fazer com que se desenvolvam formas mais avançadas de democracia popular que impeçam o retrocesso a fórmulas antidemocráticas pensadas para manter e aprofundar a exploração e a injustiça.