Uma leitora envia informações sobre o que está acontecendo no Rio de Janeiro:
”A educação sob controle dos homens de negócios” se consolida. Sob o pretexto de melhorar o IDEB acumulam-se engodos como o dessa consultoria [em Campinas] e amplia-se a escalada das estratégias de negócios e modismos na educação. As avaliações de larga escala, por exemplo, parecem estar entrando em uma nova fase, avançando, para além da medição de habilidades cognitivas para a medição de “habilidades não cognitivas, ou socioemocionais”.
O Instituto Ayrton Senna em parceria com a OCDE, Mec e Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, desenvolveu um estudo junto à rede de escolas do Rio para mensurar o desenvolvimento socioemocional dos alunos e relacioná-lo com o desempenho educacional/cognitivo. Dizem os idealizadores do estudo que a intenção é apoiar políticas públicas preocupadas em preparar as crianças para os desafios do século 21.
Tenho procurado entender melhor o assunto e temo que avaliar atributos de personalidade, como perseverança, extroversão, autocontrole, entre outros, possa se transformar em estratégia de reforço à exclusão.
Os instrumentos que o Instituto A. Senna usou com alunos da rede escolar do Rio de Janeiro se baseiam em aspectos psicométricos utilizados correntemente em setores de RH das empresas e corporações. Ou seja, são atributos desejáveis para o mercado de trabalho. Mas, se utilizados para mensurar alunos em fase de escolarização e em larga escala, como evitar que se tornem fatores de exclusão desde a escola?
Economistas de plantão e “intelectuais” ligados a grupos empresariais estão puxando a conversa, defendendo que é possível também medir esses traços, porque eles têm impacto no sucesso escolar e vida futura; que contribuem para melhorar o ambiente escolar e para a formação da identidade e projetos de vida.
O MEC e a Capes estão envolvidos na discussão. A Capes lançou uma linha de pesquisa para incentivar as universidades a abrirem espaço para pesquisas nessa área, com distribuição de bolsas de estudo.
Tem um economista americano (James Hackman) trabalhando com a OCDE que diz que os testes de larga escala corromperam os sistemas educacionais ao induzir gestores, professores e alunos a desenvolver o ensino e a aprendizagem a partir dos testes e que o importante é mostrar quais habilidades são mais importantes para a vida e o quanto elas impactam na aquisição de conhecimentos.
Como a intenção dos economistas e empresários ocupados com a questão é influenciar as políticas públicas, acho que devemos ficar atentos.”