SARESP 2013: pior resultado em seis anos

Está aberta a temporada dos números. Os reformadores empresariais estão presos em sua própria armadilha. Criaram processos de medição – imprecisos como sabemos – e agora estes se voltam contra sua teses, mostrando que, como aconteceu em outros países, as teorias de responsabilização e meritocracia não surtiram os efeitos esperados.

No caso do Estado de São Paulo os resultados são emblemáticos pois mostram que a educação está empacada – a não ser nas séries iniciais do ensino fundamental. Mas neste caso, a melhoria é nacional e não responde a políticas locais. Mesmo com toda a simulação de testes e controle dos professores para que se ensine o que vai cair na avaliação, o sistema está empacado.

No caso do ensino médio da rede estadual de São Paulo, o SARESP aponta que os resultados pioraram em 2013 e é o mais baixo desde 2008.  Passou de 268,4 em 2012 para 262,7 em língua portuguesa. Em matemática passou de 270,4 para 268,7.

No final do ensino fundamental, no 9º. ano, houve queda em língua portuguesa e uma leve melhoria em matemática. No entanto, mostrou estagnação nos últimos seis anos.

Segundo Mozart Ramos Neves, agora Diretor do Instituto Airton Senna, os resultados mostram a crise do modelo de ensino médio para os jovens. Ou seja, para ele, não são as políticas que estão erradas e sim o modelo de ensino – propõe mais do mesmo que já não está dando certo faz tempo. É uma forma de desconversar sobre o fracasso rotundo destas políticas de testes, ranqueamento e meritocracia em uso no Estado de São Paulo.

Logo mais virá a divulgação do IDEB.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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6 respostas para SARESP 2013: pior resultado em seis anos

  1. arnaldo disse:

    Eu acho que o teste tem algo positivo, sim, professor. Mostra que o ensino esta ruim. É melhor saber que o ensino esta ruim, você nao concorda? O problema não é o carteiro… é a carta.

    Agora, uma coisa é verdade também (embora não decorra necessariamente da politica de testes): muita escola esta deixando de ensinar para treinar pra testes. Mas, novamente, o problema não é do teste. E sim do uso que se faz dele.

    O professor coloca como se deixássemos de realizar provas externar fosse melhorar o ensino.

  2. Jean disse:

    Até onde seu sei, o problema da avaliação em lerga escala não está no instrumento, mas sim na forma com que os seus resultados são interpretados e nas ações educacionais (que eu chamaria de “culpa”, pois a sociedade sempre coloca a culpa no professor (que literalmente convive em condições subhumanas, na maioria das escola, no caso do estado de SP). Aí que está o erro, na minha visão, sempre culpar o professor. Por outro lado, a “ignorância” dos gestores fazem com que a interpretação dos resultados seja direta, ou seja, se o aluno não vai bem é porque o professor não ensinou. Oras, se fosse assim, uma pessoa que não toma seu remédio regularmente piora, então a culpa é do médico? (sempre?). Precisamos rever sim tudo isso. Att

  3. Jean disse:

    Até onde seu sei, o problema da avaliação em lerga escala não está no instrumento, mas sim na forma com que os seus resultados são interpretados e nas ações educacionais (que eu chamaria de “culpa”, pois a sociedade sempre coloca a culpa no professor, que literalmente convive em condições sub-humanas, na maioria das escolas, como é o caso do estado de SP). Aí que está o erro, na minha visão: sempre culpar o professor. A “ignorância” dos gestores fazem com que a interpretação dos resultados seja direta, ou seja, se o aluno não vai bem é porque o professor não ensinou. Oras, se fosse assim, uma pessoa que não toma seu remédio regularmente e piora, então a culpa é do médico? (sempre?). Precisamos rever sim tudo isso. Att

  4. Marcos disse:

    A questão meus colegas e que as avaliações estão sendo usadas exatamente para responsabilizar unilateralmente os professores e não para orientar políticas públicas. Desse modo, a ânsia por melhores resultados, expressos em rankings sem sentido, tem levado a consequências desastrosas para o ensino, como o estreitamento curricular e a fraudes.

  5. Mauro Sala disse:

    Lembrando um “velho” texto que nasceu nesse blog. “O IDESP, a multisseriação na escola seriada e a condição do trabalho educativo”, de Mauro Sala e Melina Casari Paludeto

    https://www.yumpu.com/pt/document/view/12476344/o-idesp-e-a-multisseriacao-na-escola-seriada-e-a-2

  6. Aguinaldo W. Dinazio disse:

    O fracasso do que chamo Escola-Industria é claro! O governo paulista e outros tentam melhor o nível de ensino tratando a escola como uma indústria de baixo investimento, baseando-se em uma visão pseudo-pedagógica, pois na verdade, a escola funciona como uma indústria, onde o aluno é “fluxo” e “demanda”, onde a retenção não pode ultrapassar a 5% (o mesmo número para as peças refugadas na indústria) e o professor é peão de produção com metas a cumprir e receber seu PLR, vulgo “bônus” caso as atinja. Esta metodologia criada pelo Banco Mundial se mostrou furada em vários países que paulatinamente a vem abandonando! A sua versão americana implantada por Paulo Renato, há muito foi negada pela sua própria criadora nos EUA.

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