Paes de Barros defende privatização

Leitor envia link de entrevista com Paes de Barros.  Nele você verá a defesa que o ex-membro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (e agora economista-chefe do Instituto Airton Senna), faz das Escolas Charters e do setor privado. Chega a recomendar a falida privatização feita na Suécia.

“Esse debate sobre a focalização foi superado. O que continua a existir é uma coisa discriminatória contra o setor privado. A educação claramente discrimina a universidade privada diante da pública, como se, por definição, algo estatal fosse melhor do que o privado. O programa nacional de alfabetização, por exemplo, tem de ser com as universidades públicas, e não com as privadas. Por quê? É pura discriminação – e ela tem de ser contestada. Há a ideia de que privatizar parte da educação é mercantilizar o setor. Esse é o grande nó dos serviços públicos do Brasil. Na educação essa mentalidade é brutal e representa um grande problema. Não se pode usar o Fundeb (fundo de financiamento para a educação básica) para contratar uma rede de escolas de educação média para prover os serviços de um Estado. Um Estado poderia gastar menos contratando uma rede de ensino particular. Ele não se preocuparia com infraestrutura, nem com o quadro de docentes. O foco do Estado seria o controle da qualidade do ensino. Isso economizaria dinheiro e dor de cabeça. Imagina isso no Estado de São Paulo, que tem mais de 200 mil professores. As Organizações Sociais (OS) deram certo na saúde. Mas não se pode usar OS na educação. Não podemos testar o modelo de charters schools no Brasil, que são escolas privadas pagas em parte pelo governo e gratuitas para a população. Na Colômbia estão fazendo isso. A Suécia está se livrando de todas as escolas públicas. O país paga para a rede privada prover o estudo. Para a família é gratuito – e só o que importa é a qualidade.”

Ao contrário do que Paes de Barros diz, não há nenhuma discriminação na crítica que se faz ao setor privado. O que há são enfoques conceituais diferentes para a educação e que têm agendas diferentes. Nós não achamos que os reformadores empresariais discriminam os educadores profissionais. Eles pensam o que pensam porque estão compromissados com uma visão ideológica liberal que prega a constituição de um quase mercado no campo educacional, pregam a supremacia dos métodos da iniciativa privada, da competição entre escolas em um mercado desregulado. Dizer que são liberais não é nenhuma ofensa. É legítimo ser liberal. Isso também é ideologia e é dela que discordamos.

Está na hora dos reformadores empresariais enfrentarem o debate e pararem de choramingar escondendo-se em “discriminações” inexistentes. Paes de Barros propõe que olhemos para a Suécia, a qual privatizou a educação. Vamos seguir o falido modelo de privatização da Suécia?

Acesse entrevista completa de Paes de Barros aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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