Suécia também reconsidera privatização

Além do Chile, também a Suécia já havia demonstrado preocupação com seu modelo de privatização após a quebra de uma cadeia de escolas privadas que deixou onze mil alunos sem instrução.

O fato levanta outras questões: podemos deixar o sistema de formação da juventude nas mãos de empresários – seja diretamente como operadores, seja como financiadores indiretos via ONGs? Que confiança podemos ter em que quando o lucro não for satisfatório eles continuarão operando as escolas? E nos períodos de crise do capitalismo, estarão os empresários interessados em manter suas polpudas “doações” dedutíveis de imposto de renda para ONGs e escolas?

“Eu acho que nós tivemos fé cega demais em que as escolas privadas iriam garantir maior qualidade de ensino”, disse Tomas Tobe, chefe da comissão de educação do parlamento e porta-voz para a educação do Partido Moderado no poder.”

O Partido Moderado junto com o Partido Verde deram suporte às políticas de privatização da educação sueca (que incluem pagamento de bônus). Ambos emitiram um pedido público de desculpas em uma Jornal sueco em novembro de 2013 dizendo:

“Perdoem-nos, a nossa política levou nossas escolas para fora do caminho”.

Interessante ler também o estudo de Henry Levin sobre o uso de vouchers na Suécia mostrando que as pontuações caíram nas avaliações internacionais desde 1995 (o processo de privatização começou em 1992) e a segregação aumentou.

Privatizar a educação é irresponsabilidade, não há outro nome para esta política. Para não ter que pedir perdão, depois, como na Suécia, ou voltar atrás como no Chile, é melhor que os políticos baseiem suas decisões na evidência disponível.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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3 respostas para Suécia também reconsidera privatização

  1. Fabiano disse:

    Muito tendencioso seus post, tem que ter o contraditório , se não fica parecendo que esta defendo professores públicos e ao a educação.

  2. Prezado Fabiano, este é um blog em defesa dos professores públicos e da educação. Ele não parece, ele é feito para isso. Outras visões podem ser achadas em outros blogs e, em especial, sobre os reformadores empresariais há um grande número de sites em ONGs, Institutos, Empresas educacionais que tratam deles. Este mostra o que os reformadores não mostram em seus blogs. Portanto, ele não foi feito para ser imparcial.

  3. Gabriel disse:

    Por aqui, nossos professores públicos deveriam ser mais idealistas e menos materialistas parando de fazer greves por maiores salários e deixando de prejudicar os alunos. Há muita hipocrisia por quem prega ganância da parte dos outros.

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