GO: como funciona a “repressão liberal”

Recentemente comentei que o “golpe dos liberais” é um golpe comandado pela caneta jurídica e não como antigamente, pelo canhão. Eis um exemplo concreto da repressão “liberal” o que está acontecendo na Universidade Federal de Goiás. Lá, o Ministério Público Federal tenta censurar o debate da situação nacional naquela Universidade. Em uma “recomendação”, No. 75, o MPF conclui (leia íntegra aqui):

“RECOMENDA, posto isso, que a UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS:

8.1 – não realize nem permita, em suas dependências físicas, nenhum ato de natureza político-partidária, tendo por objeto o processo de impeachment da Presidente da República, seja favorável ou contrariamente;

8.2 – não utilize nem permita que seus bens móveis, materiais ou imateriais (aqui incluídos sites oficiais e redes sociais institucionais) sejam utilizados com o objetivo de promover qualquer ato sobre essa temática; e

8.2 – não utilize nem permita que recursos financeiros sob gestão dessa instituição custeiem ou patrocinem a participação de qualquer pessoa física ou jurídica, ou, ainda, agrupamentos de qualquer espécie, em atos pertinentes a essa temática.

9 – REQUISITA, no prazo de 5 (cinco) dias, encaminhe a esta Procuradoria da República resposta pertinente ao acatamento do que se recomendou acima, enumerando as providências consequentemente adotadas; bem como relação de todos os atos político-partidários relacionados ao impeachment da Presidente da República que tenham contado com algum tipo de participação dessa instituição, apontando data, hora, local, meios utilizados e responsável pela respectiva autorização administrativa.”

Em resposta ao MPF, o Conselho Universitário daquela instituição divulgou nota corajosa que reproduzo abaixo:

Documento foi elaborado em resposta à Recomendação Nº 75, de 4 de abril de 2016, do Ministério Público Federal (MPF/GO)

“O Conselho Universitário (CONSUNI) da Universidade Federal de Goiás (UFG) reunido na data de 08/04/2016 considera que a dinâmica acadêmica demanda, em suas práticas de ensino, pesquisa, inovação e extensão, o diálogo aberto com a sociedade em sua totalidade. Entendemos que o cenário de instabilidade política requer que a Universidade se antecipe, dialogue, investigue e realize debates públicos em busca de respostas para os problemas sociais, evitando a construção de saber enviesado e distante da sociedade.

Assim, o Consuni repudia a recomendação do MPF/GO de que a Universidade se abstenha de promover ou participar de atividades cujo tema se relacione ao debate político em torno do impeachment. Entendemos ainda que tal recomendação fere a autonomia e a liberdade para aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber como bens necessários para que se desenvolva o conhecimento científico conforme garante a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e o Estatuto da UFG.

Do mesmo modo repudiaremos sempre qualquer atentado à liberdade de expressão e à autonomia universitária.”

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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5 respostas para GO: como funciona a “repressão liberal”

  1. IRIA BRZEZINSKI disse:

    Prezado Luiz esta repressão atingiu também a Pontifícia Universidade Católica de Goiás que proibiu “debates” de caráter político.

  2. Maria Estela Sigrist Betini disse:

    Eles não sabem o que é educação.

  3. ANGELICA mENEZES disse:

    GOSTARIA DE SABER O QUE IMPEDE DE MATRICULAR MEU FILHO NA ESCOLA PÚBLICA SÓ PQ ELE FREQUENTA A ESCOLA PARTICULAR QUAL LEI PROÍBE.

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