GO: dissertação vê impactos dos reformadores na educação especial

Erika Marinho Witeze defendeu sua dissertação de mestrado na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás analisando os impactos das políticas dos reformadores empresariais em crianças portadoras de necessidades especiais. Tem como título: “Processos de inclusão/exclusão escolar de estudantes com necessidades educacionais especiais: análise do impacto da Prova Brasil na escolarização do público-alvo da educação especial em duas escolas estaduais da cidade de Goiânia”. O trabalho teve a orientação do Prof. Régis Henrique dos Reis Silva. Abaixo, segue o resumo do trabalho:

“O presente trabalho discute os aspectos envolvidos na participação de alunos com necessidades educacionais especiais na Prova Brasil, tendo como recorte duas escolas estaduais da cidade de Goiânia-GO. A partir dos dados coletados em campo e de entrevistas semiestruturadas com gestores, profissionais de apoio e professores de recursos, explicitamos as tensões e contradições vividas pelos estabelecimentos investigados na compatibilização entre dois modelos distintos de avaliação e organização do trabalho pedagógico: o primeiro, fundamentado no reconhecimento da diversidade e na flexibilização dos conteúdos curriculares, dos recursos didáticos e das temporalidades; o segundo, ordenado a partir da homogeneização do desempenho dos alunos nos testes padronizados, numa perspectiva classificatória e mercadológica.

Veremos como a busca pelo aumento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e o controle verticalizado dos resultados nos exames externos acirra a competição entre escolas, justificando mecanismos como a responsabilização, a meritocracia e a privatização do ensino público. Discutimos também em que medida a lógica neotecnicista interfere nas formas de organização do currículo, das rotinas escolares e do trabalho docente, em consonância com as diretrizes definidas pelo Ministério da Educação (MEC) e pelas agências multilaterais como o Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A partir dos marcos legais e da produção acadêmica no campo da educação inclusiva e das avaliações em larga escala, falamos das consequências das práticas de regulação e monitoramento do ensino no campo da educação especial. Evidenciamos, além disso a coexistência de processos de inclusão/exclusão, decorrentes da estruturação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) no Brasil.

Outro ponto problematizado em nosso estudo refere-se aos limites do discurso em defesa das diferenças no enfrentamento das várias formas de exclusão e marginalização de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação no contexto neoliberal. Nessa perspectiva, analisamos as possíveis contribuições da Avaliação Institucional Participativa (AIP) – como estratégia de cunho contra regulatório – na elaboração de padrões de qualidade socialmente referenciados, que possam servir de suporte para o trabalho educativo nas escolas inclusivas.”

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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