SP: leitora relata experiência

Leitora relata sua experiência na rede estadual de São Paulo, imersa nas reformas empresariais da educação desde 2008:

“Sou professora da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo desde 1999. Amo minha profissão, no entanto, desde que essas reformas começaram a ser implantadas em 2008, minha energia vem sendo minada ano após ano, a ponto de não saber quanto tempo mais conseguirei enfrentar a força e a bestialidade com que este processo de enterrar de vez a qualidade da educação das escolas públicas vem sendo implantado.

Trabalhar com vistas apenas em obter resultados no Saresp – Sistema de Avaliação de Resultados do Estado de São Paulo – é deprimente. O Caderno do Aluno (apostila obrigatória na rede) é uma afronta à inteligência e capacidade de professores e alunos, com conteúdos totalmente imbecilizados em algumas disciplinas e praticamente impraticáveis em outras (como no caso do Inglês, matéria que seria de grande valia, se fosse apropriado para a realidade das aulas na rede pública, uma vez que muitas escolas não dispõem de livros didáticos para essa disciplina).

A nova ferramenta, tão alardeada pela Secretaria – SARA – Sistema de Acompanhamento dos Resultados de Avaliações -, só serve para atrapalhar nossa vida, tomando ainda mais nosso precioso tempo, com digitação e acompanhamento de resultados de testes padronizados, que, na verdade, não dizem absolutamente nada a respeito de nosso trabalho e sobre o rumo que devemos tomar para levar nossos alunos ao que realmente é necessário. Precisamos parar esses reformadores, antes que eles nos parem.”

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Meritocracia, Responsabilização/accountability, Saresp. Bookmark o link permanente.

3 respostas para SP: leitora relata experiência

  1. Andreia disse:

    Nossa! Obrigada, professor Luiz Carlos!

  2. Carlos Bifi disse:

    Faço das minhas palavras, as palavras da colega. Sou da rede desde 1989 (oficialmente 1992), e estou exonerando faltando 5 anos para aposentar. Porém, se eu continuar, estes 5 serão 10! Não quero isso para mim. Grande abraço Professor e bela página que acompanho a muito tempo.
    Prof Dr Carlos Bifi – Matemática.

  3. Maria Claudete de Oliveira Ramos disse:

    Infelizmente, para nossa profissão não há esperança! Eu também sou da rede desde 1996 e hoje não vejo outro caminho senão o fim, impossível fazer um bom trabalho com 40 crianças em uma sala de aula e tão poucos recursos e tão baixa remuneração.

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