O “enfoque testar-e-punir”

Alan Singer escreve sobre o enfoque baseado em teste e punição, largamente aplicado na educação americana há décadas: “Avaliar não significa testar”.

Este enfoque combina responsabilização com meritocracia e tem sido usado para induzir os processos de privatização nos Estados Unidos, através da produção de ranqueamento de escolas.

Singer apresenta como alternativa a este enfoque um novo relatório do National Center for Fair and Open Testing o qual defende que a abordagem de teste e punição, incorporada à legislação federal desde a lei No Child Left Behind e que teve continuidade no programa Race to the Top de Obama e ainda se mantém na nova lei Every Student Succeeds Act (ESSA):

“tem prejudicado a qualidade da educação para muitos e inibiu a melhoria da escola” especialmente nas “comunidades com menores recursos” e produziu “demissões em massa, fechamento de escolas e deterioração do clima educacional que alimentou uma linha direta entre a escola e a prisão”.

Baixe aqui o relatório do FairTest.

O relatório do FairTest defende que é necessário “libertar a avaliação em sala de aula dos limites impostos pelos testes padronizados”.

Essa possibilidade, contraditoriamente, agora está dada pela ESSA, pois ela deu mais liberdade aos estados americanos para que eles definam seu próprio sistema de avaliação de larga escala, restringindo o poder do Departamento de Educação americano de interferir nesta matéria. Nos Estados Unidos, a avaliação federal é amostral e não se destina a produção de ranqueamentos, cabendo aos estados realizarem a avaliação censitária. É neste nível que a abordagem do testar e punir se desenvolveu até agora, sob a indução do Departamento de Educação americano. Inclui-se aqui a pressão para a utilização de formas de avaliação de professores baseadas nos resultados dos testes de proficiência dos estudantes. Nas leis anteriores, o governo federal definia como os estados deveriam realizar esta medição, bem como um conjunto de consequências para eles. A nova lei, deu mais poder aos estados na definição dos seus sistemas de avaliação locais.

Não parece que nosso Ministério da Educação esteja interessado em aprender esta parte da lição americana. Aliás, a cópia feita por Reynaldo Fernandes quando inventou a Prova Brasil, ignorou que o NAEP americano, a avaliação federal americana de larga escala, sempre foi amostral.

O SAEB no Brasil também era amostral (e continuou a ser na avaliação do ensino médio brasileiro). Reynaldo preferiu introduzir no Brasil, para avaliar a educação fundamental pública (e só ela) um modelo censitário que avalia a todos os estudantes, a cargo do governo federal, duplicando os processos de avaliação (estado e governo federal).

Leia mais aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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