Quem Trump nomeará para a Educação?

A bolsa de apostas está aberta. Jornais americanos especulam sobre os nomes dentre os quais poderá sair a(o) futura (o) Secretária(o) da Educação americana. De comum há que todos são procedentes do movimento da reforma empresarial da educação. Não se imaginava outra coisa. A novidade, para nós, fica por conta de que Trump é contra a base nacional comum conhecida como Common Core (que vale para inglês e matemática). Apesar de lá a adoção desta base ser uma definição dos estados, Trump poderá criar “incentivos” para demovê-los da ideia de aderir.

Isso ocorre pela forte tradição americana de não interferência nos Estados que foi contrariada desde os tempos de Bush com o No Child Left Behind e com Obama no Race to the Top. De fato, isso não chega a ser uma recusa às principais teses dos reformadores empresariais. Ao contrário, o grupo de Trump é mais adepto ainda da reforma empresarial e da necessidade de extinguir o que ele chama de “escolas do governo” (em referência às escolas públicas) e passá-las para a iniciativa privada com e sem fins lucrativos.

Ele já havia dito que não colocaria alguém da área educacional no Departamento de Educação. Uma das canditadas Michelle Rhee administrou a educação na cidade de Washington e é líder de uma Fundação privada para a área da educação – Students First.  Esteve sendo investigada quando comandava a educação em Washington. É a popstar da reforma empresarial ao lado de Joel Klein, secretário da educação da cidade de Nova York quando era prefeito o magnata Bloomberg. Modelo para Doria em SP.

A recém chegada à disputa é a CEO de uma cadeia de escolas charters Eva Moskowitz. É a mais nova e mais controversa rede de escolas charters da cidade de Nova York. Ela tem se posicionado bem na disputa, segundo assessores de Trump.

Jeanne Allen é diretora do Centro para a Reforma Educacional, defensora dos vouchers.

Durante a campanha, Trump chegou a falar em aplicar até 20 bilhões de dólares em escolas charters.

Para Diane Ravitch há o seguinte cenário, tendo como favorito Bill Evers:

“… dizem que os adeptos do Trump se opõem a Michelle Rhee e Eva Moskowitz, porque ambos apoiaram o Common Core [algo como uma base nacional comum curricular para inglês e matemática]. Rhee até mesmo incluiu David Coleman, o arquiteto do núcleo comum, no seu grupo do “Students First“, junto com Jason Zimba, que foi o autor principal dos padrões comuns para a base de matemática no núcleo comum.

Os ativistas anti-Common Core dizem que apoiaram Trump porque ele prometeu se livrar do base nacional comum. Eles preferem Williamson (Bill) Evers, que tem uma longa história de oposição ao Common Core.

Conheço Bill Evers. Ele apóia a escolha da escola [vouchers] e se opõe ao Núcleo Comum. Trabalhou no Iraque para a Autoridade Provisória da Coalizão como consultor de educação. O presidente George W. Bush o nomeou como Secretário Assistente de Educação. Ele é um libertário, menos propenso a atropelar o controle local, e menos problemático do que alguns dos outros nomes que foram mencionados.

No entanto, Trump e seus aliados não parecem saber que o governo federal não pode se livrar do núcleo comum. Foi impingido aos estados por Arne Duncan e o Race to the Top de Obama, e a decisão sobre mantê-lo, revê-lo ou abandoná-lo pertence aos estados, não ao governo federal.”

O recrudescimento das teses da reforma empresarial no cenário americano não deixará de ter repercussões inclusive para nós aqui no Brasil.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability, Vouchers. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Quem Trump nomeará para a Educação?

  1. Leila disse:

    Professor, já esta ciente do “Seminário Internacional sobre Formação de Professores” promovido pela Frente Parlamentar Mista de Educação e a Comissao de Educacao da Camara prevista para acontecer no próximo dia 06/12? Se ainda não, vale a pena dar uma olhada nos nomes dos convidados, os quais, segundo o informe da camara, sao alguns dos “principais atores envolvidos no debate e na formulação de políticas públicas voltadas para a preparação acadêmica de professores no Brasil e no Mundo”.

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