SP: ABE continua caminhando…

Há algum tempo noticiamos a entrada formal de atuação da Kroton na reforma da educação brasileira, constituindo a Aliança Brasileira pela Educação (ABE). O Estado de São Paulo deveria ser uma primeira base experimental destes empresários.

Informações disponíveis por meio da lei de acesso à informação que nos chegam relatam como anda esta movimentação:

“Gostaria de partilhar informações que obtive junto à ouvidoria de SP sobre a Aliança do grupo Kroton com a SEE-SP. Foi preciso um recurso e muita paciência até receber a breve informação abaixo, pois inicialmente apenas remeteram ao site da secretaria. O que a informação revela é uma aliança mais ampla, envolvendo a secretaria municipal de educação da capital.  Por favor, fique à vontade para fazer uso dos dados, se achar pertinente. Cada vez me preocupa mais o assédio à educação pública, mas importa muito saber que há vários colegas que também se importam em defendê-la.”

A resposta da Ouvidoria é a seguinte:

“O projeto foi realizado de forma “piloto” em 2016. Aprioristicamente, a ideia da Fundação Pitágoras, seria de realizar a Aliança Brasileira pela Educação (ABE) envolvendo a rede estadual e municipal (o que não foi possível por conta das eleições). Desta forma, a agenda, programação, apresentação de parceiros e completa formalização ocorrerá em 2017, com a definição da futura Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Maiores informações devem ser verificadas com a Fundação Pitágoras, que apresentou a proposta da ABE.” (Grifos meus LCF.)

A Fundação Pitágoras, integrante da Kroton, desenvolveu um sistema de controle chamado Sistema Integrado de Gestão – SIG. A implantação tem a duração de dois anos e se destina a criar um “efeito demonstração” que potencializará a colocação do produto da Kroton em escala nacional.

Sua finalidade é clara:

“A essência do SGI é integrar o trabalho de um sistema de ensino para garantir que, do Secretário de Educação até o Aluno individualmente, todos estejam na mesma página, falando a mesma língua. Ou seja: que as diretrizes educacionais da Secretaria de Educação sejam a principal agenda dos dirigentes escolares; que as diretrizes da escola sejam a agenda “número um” das classes, e assim sucessivamente. “

“Resumindo: um sistema está integrado quando o foco está claro (explicitado, comunicado, compreendido, incorporado) e quando todos jogam suas ações e talentos na direção do foco comum. Para integrar um sistema de ensino, duas variáveis devem estar em curso: o alinhamento e o desdobramento.”

“O SGI alinha o trabalho da Secretaria de Educação com o de cada Escola da rede, o de cada Escola com suas diversas Classes, e o da Classe com a aprendizagem de cada Aluno. Os pais são envolvidos, aprendendo a dar, em casa, a contribuição que faz a diferença na aprendizagem dos filhos. Na essência, todos esses sistemas têm de estar alinhados, cada um desdobrando o foco do sistema imediatamente menor.”

O controle de toda a cadeia de ação educativa é o foco da disputa, padronizando a atuação ao longo de toda a rede e instituindo um sistema permanente de vigilância e pressão.

Com a ida de Dória para a Prefeitura Municipal de São Paulo, deve-se esperar que o projeto também chegue lá, como anuncia a resposta acima transcrita.

Clique aqui para conhecer como funciona a “experiência”.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability. Bookmark o link permanente.

2 respostas para SP: ABE continua caminhando…

  1. Eloisa De Blasis disse:

    Tive contato próximo com o SIG da Pitágoras a 15 anos e sei que funciona mal, em dado momento as escolas reagem e rejeitam. É “qualidade total” requentada. Um sistema ritualístico de gestão que beira o risível. Os técnicos de implementação nem sempre tem o melhor preparo, sobretudo para enfrentar discussões no campo pedagógico. Vamos ver como virá, mas conhecendo um pouco o perfil da rede municipal de São Paulo e o comprometimento de muitos dos educadores dessa rede com o ensino público, acredito que a rejeição será forte.

  2. Pingback: Leitor comenta sistema SIG da ABE | AVALIAÇÃO EDUCACIONAL – Blog do Freitas

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