Como fica o ensino médio, por Mônica Ribeiro

COMO FICA O ENSINO MÉDIO COM A REFORMA – vem aí o Ensino Médio “líquido”

Por Mônica Ribeiro

Integrante do Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio

Publicada no Diário Oficial da União a Lei 13.415 de 16 de fevereiro de 2017, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e outras leis da área. Com isso, chega ao fim a trajetória da reforma do ensino médio no campo da legislação. Agora é lutar em cada estado, pela manutenção e ampliação dos direitos que a reforma quer retirar.

Como fica o Ensino Médio pela nova Lei:

O currículo fica dividido em duas partes: uma parte comum de 1.800 horas a todos/as estudantes e outra, dividida em cinco itinerários, em que o/a estudante terá que fazer aquilo que a escola/sistema ofertar (e não o que ele escolher, como diz a propaganda enganosa do governo).

As únicas disciplinas obrigatórias nos três anos são: Língua Portuguesa e Matemática. É obrigatório ofertar também uma língua estrangeira e, neste caso também não tem escolha, pois a língua obrigatória é a Inglesa.

Filosofia e Sociologia não constam mais como disciplinas obrigatórias. Seus conteúdos poderão ser ensinados diluídos em outras disciplinas. Excetuando Língua Portuguesa e Matemática, nenhuma outra disciplina é obrigatória, isso significa que todas as demais poderão ser ofertadas também “diluídas” umas nas outras virando assim o que estou chamando de “Ensino Médio “Líquido”.

Para o itinerário “formação técnica e profissional” este poderá ser ofertado por meio de parceria com o setor privado e o sistema de ensino se servirá de recurso público do FUNDEB para isso. E também para este itinerário: não há exigência de professor formado, pois aqueles que atestarem notório saber em qualquer habilitação técnica, poderão receber certificado para o exercício da docência.

Se o/a estudante fizer alguns cursos a distância e comprovar na escola alguns saberes práticos, ele poderá ser dispensado de fazer várias disciplinas, esvaziando ainda mais o seu aprendizado e demonstrando, com isso, a ainda maior “liquidez” desse “novo” Ensino Médio.

É “líquido” também porque mergulha no mais profundo abismo a juventude brasileira da escola pública. Porque afunda toda e qualquer possibilidade de uma vida digna para esses/as jovens, conseguida por meio de uma formação escolar densa e crítica, de uma preparação séria para o mundo do trabalho ou para o prosseguimento dos estudos. Sobre esse último, o prosseguimento nos estudos, essa “liquidez” afoga mais e mais as possibilidades já pequenas de ingresso em uma Universidade pública.

Essa “liquidez” toda se mescla com as lágrimas e o choro de todos/as aqueles/as que ocuparam suas escolas e daqueles/as outros que, se não o fizeram, não lutaram menos para que esse desastre não viesse a acontecer. Mas, como depois daquele momento do choro, a gente se levanta e se revigora, agora é hora de, mais uma vez, se levantar e gritar em cada rede estadual: Fora com Reforma. E ocupa tudo outra vez!

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais. Bookmark o link permanente.

4 respostas para Como fica o ensino médio, por Mônica Ribeiro

  1. João Cardoso Palma Filho disse:

    Concordo em termos com o texto. Entendo que os conteúdos de Arte, Educação Física, Sociologia e Filosofia continuam com presença obrigatória na BNCC. Não é pelo fato de não constar como disciplina que deixam de ser obrigatórios. A Lei não adota a palavra disciplina em nenhum momento, que é substituída pela expressão componente curricular, que já era adotada na LDB de 1996. Mais tarde reapareceu a expressão “disciplina” apenas para os componentes curriculares de Sociologia e Filosofia (art. 36, IV). Nem para Língua Portuguesa, Matemática e Língua Inglesa, a lei sancionada ontem fala em disciplina. Portanto, entendo que não é a utilização da palavra em questão que garante a obrigatoriedade.
    No mais concordo com a Mônica Ribeiro, principalmente no que diz respeito à escolha que seria feita pelo aluno. Trata-se de propaganda enganosa veiculada pelo MEC na mídia. Quem conhece a realidade de nossas escolas de ensino médio, sabe muito bem, que o sistema é que vai definir o que será oferecido ao estudante, sempre dependendo da capacidade de cada escola. Penso mesmo, que algumas áreas ficarão seriamente prejudicadas. Particularmente, considero que a maior parte das escolas não terão condições para oferecer a área de Ciência da Natureza e suas tecnologias, por falta de infraestrutura e falta de docentes para os componentes curriculares que compõe essa área de conhecimento. A formação científica, de que tanto o país precisa ficará seriamente comprometida. Tomara que eu esteja enganado. Mas, não sei não.

  2. Prof. Roberto (UFPR) disse:

    Belo texto de uma história triste! Como diz a guerreira professora Mônica Molina! Fora com reforma e ocupa tudo outra vez!

  3. Valentino disse:

    Segundo minhas observações, acredito que o oferecimento de Filosofia e Sociologia dependerão e muito da nova BNCC. Estou certo?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s