Objetivo atingido: renda média derrete…

A chamada era do PT elevou a renda média do trabalhador, como comentamos em outras oportunidades neste blog, e isso foi amplamente reconhecido. O andar de baixo acessou mais renda, consumiu mais. Faltou politizar a questão, mas é um fato. Com isso, encareceu -se o trabalho pela elevação da renda média, impactando a realização dos lucros em determinadas áreas da economia – menos rentistas e banqueiros que sempre ganham independentemente de crises.

Isso, aliado a outros fatores políticos, levou o capital a promover a pior recessão de todos os tempos no Brasil, como forma de pressionar pelas reformas que agora estão em curso. Com isso, coloca-se em andamento um conjunto de medidas que garantirão a futuro, a elevação do lucro das corporações – além de outras vantagens de ordem política.

É notória a forma como a grande mídia trata o governo Temer. É fraco, tem corruptos nele, mas precisamos das reformas – portanto, está valendo. Na outra ponta, alimenta-se a esperança, pelos políticos envolvidos, de que, acertada a economia, tudo volte ao normal e a punição fique apenas para os casos de “notória corrupção”, salvando a grande maioria que recebeu por caixa dois nas eleições – independentemente da origem do dinheiro. Afinal, falta apenas uma tarefa para a lava-jato perder utilidade política: condenar Lula e mais alguns do PT.

Mas havia um objetivo imediato que o empresariado do pato amarelo estava desejando: derrubar a renda média que a era PT elevou. Sob Dilma, Levy havia iniciado a tarefa e com seu plano derrubou até junho de 2016, 4%. Agora, somos informados – em clima de consternação midiática – que a perda já está chegando perto de 10%.  E isso se consegue, é claro, pelo desemprego, provocado pela reação do capital às políticas distributivas anteriores.

Dessa forma, enquanto no curto prazo o salário médio vai derretendo e maximizando o lucro, na outra ponta as reformas de maior alcance vão sendo aprovadas. Depois disso, Temer, Moro e outros perderão utilidade imediata, a recuperação econômica tomará positivamente as manchetes dos jornais e começará uma “nova vida” – com o lucro garantido e a esquerda dizimada. Claro, tudo dentro da lei.

Este é o plano. No entanto, não podemos esquecer que tudo isso vai incomodar grandes massas, produzir a precarização e o empobrecimento maior da população. Se hoje o trabalhador está contra a parede, amanhã, não será assim, até porque neste ritmo de destruição das relações trabalhistas, muita gente não terá mais nada a perder. Novamente, o capital descarta a possibilidade do “entendimento” de classe. Não se diga, depois, que é a esquerda que promove a luta de classes. É apenas legítima defesa…

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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