Escolas Charters: perdendo a vergonha

Bem de acordo aos tempos de Trump, um relatório americano sobre segregação em escolas charters resolveu documentar e reconhecer que a segregação de estudantes nestas escolas é real, mas que, apesar disso, ela é um efeito benéfico da escolha dos próprios país. Acredite se quiser. Isso se parece muito mais àquela saída clássica de quem não podendo negar os fatos, procura fazer com que trabalhem a seu favor, ou como dizem, fazer do limão uma limonada.

O NEPC revisou o relatório:

“Um novo relatório do American Enterprise Institute (AEI) compara as diferenças nas abordagens e demografia entre os modelos de escolas charter e as “escolas públicas tradicionais” locais. O relatório relaciona modelos variados com escolhas das escolas pelos pais estratificadas e depois a composição estudantil estratificada correspondente, concluindo que essas diferenças e estratificações são benéficas ou benignas.”

Jameson Brewer da Universidade da Geórgia do Norte e Christopher Lubienski da Universidade de Indiana analisaram o estudo.

“As escolas charters, segundo o estudo, oferecem opções educativas diferenciadas e “inovadoras” através de variados modelos acadêmicos que atendem e, finalmente, refletem as escolhas dos pais para seus filhos. A estratificação resultante é apresentada como um subproduto benigno de escolhas benéficas diferencialmente associadas com, por exemplo, grupos raciais e étnicos diferentes. Eles afirmam que isso é “consistente com a teoria por trás de charters” e “em linha com um setor de charters que funcione adequadamente.”

“Infelizmente, os revisores concluem, o relatório não demonstra familiaridade com a pesquisa sobre a tomada de decisão dos pais ou com a extensa pesquisa sugerindo que as escolas charter não são particularmente inovadoras nas opções curriculares ou de instrução. Apesar do que o relatório afirma, as escolas públicas tradicionais, de fato, oferecem várias especializações de modelos acadêmicos, como as oferecidas pelas escolas charters.

Finalmente, os revisores expressam preocupação e desacordo com a caracterização desdenhosa que o relatório faz da segregação real em escolas charters e da estratificação dos alunos por outras características demográficas, o que para eles está em desacordo com o propósito e objetivos de uma educação pública equitativa.”

Baixe aqui o estudo original da AIE: Differences by Design? Student Composition in Charter Schools with Different Academic Models, by Jenn Hatfield & Nat Malkus, published by the American Enterprise Institute.

Baixe a revisão do estudo feita por T. Jameson Brewer and Christopher Lubienski para o NEPC.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Escolas Charters, Privatização, Segregação/exclusão e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

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