Nova Zelândia surpreende e pode abortar sua BNCC

Diane Ravitch nos informa que a política educacional na Nova Zelândia está mudando e que a reforma empresarial deve ser afastada do cenário daquele país. Na semana passada, o Partido Nacionalista da Nova Zelândia fechou coalizão com o Partido Trabalhista e o Partido dos Verdes:

“A Nova Zelândia terá a primeira ministra mais nova em mais de 150 anos depois que o pequeno Partido Nacionalista da Nova Zelândia concordou em formar um novo governo com a líder do Partido Trabalhista, Jacinda Ardern, que encerrará a década do Partido Nacional no poder.”

Leia aqui.

O Partido Nacional, no entanto, continua sendo o maior partido e poderá criar grandes dificuldades para os planos da nova coalizão.

A BNCC da Nova Zelândia foi cantada em proza e verso por alguns pesquisadores e reformadores brasileiros, como exemplo a ser seguido.

Para os educadores da Nova Zelândia que há anos estão lutando para pôr fim à reforma empresarial que assolou o país desde os anos 90 e especialmente depois de 2008 com a política que instituiu “padrões nacionais” curriculares, sob orientação do Partido Nacional, agora derrotado, a nova coalização abre possibilidades muito promissoras de mudar o rumo da educação naquele país.

Para a organização anti reforma empresarial Save our Schools da Nova Zelândia a coalização (NZ First, Labor e Greens) que se forma defende o seguinte programa para a educação:

“Todas as três partes querem restaurar os professores de educação pré-escolar infantil (ECE) com 100% de formação e prometem recuperar financiamento para apoiar isso.

Todas as três partes querem livrar-se dos padrões nacionais.

As três partes querem aumentar o financiamento e o apoio ao desenvolvimento profissional dos professores.

As três partes querem revogar a legislação de escolas charters.

Todas as três partes querem que os professores tenham o direito de eleger seus próprios representantes para o Conselho de Educação.

Todos os três também querem um modelo inclusivo que apoie adequadamente as crianças com Necessidades Educacionais Especiais, e os três querem financiamento adequado para a equipe de suporte.”

Já em 2011, os diretores de escola organizados denunciavam a reforma empresarial que a partir de 2008 desenvolveu uma base nacional comum curricular para o país. Diziam:

“Muitos países recorreram ao caminho da introdução de padrões nacionais. Tais reformas educacionais não ocorrem no vácuo. Eles são primeiro motivadas politicamente e são o primeiro passo no desenvolvimento de uma nova cultura educacional, no centro da qual está uma nova forma de “acountability” ou prestação de contas. A força motriz dessa nova cultura é a concorrência. Para o politicamente ingênuo, isso pode parecer um sucesso. Parece tornar as escolas responsáveis ​​e dar aos pais informações sobre o desempenho de seus filhos e o desempenho da escola em relação a outras em todo o país.

Infelizmente, essa nova cultura educacional baseia-se na premissa de que todas as crianças da nação, dentro de uma faixa etária, progridem e se desempenham de forma padronizada. É daí que vem o termo “Padrões Nacionais”. Significa ‘Padronização da Nação’. Não há indivíduos nesta nova cultura. Assume-se que todas as crianças chegam à escola com a mesma disposição para aprender, com o mesmo nível de inteligência, adequação, saúde e experiências de aprendizagem pré-escolar. As crianças que não conseguem cumprir a medida “padronizada” são consideradas como necessitando de ajuda. Uma agência central é nomeada pelo governo para decidir qual será essa ajuda. Além disso, as escolas que têm muitas crianças no grupo “inadequado” também podem ser alvo de “ajuda” e, se continuarem “inadequadas de forma reiterada”, as conseqüências podem ser drásticas como vemos no exterior. Logicamente, se as escolas são consistentemente de alto desempenho, então, em uma cultura competitiva, pode-se assumir que elas são dignas de recompensa e geralmente isso é o que acontece uma vez que a nova cultura foi incorporada.

Demora apenas um segundo para descobrir que esse sistema não apenas desafia todas as leis da natureza, e é educacionalmente falho porque as crianças chegam como indivíduos não como clones padronizados. É preciso mais um segundo para entender por que países como EUA, Reino Unido e China que adotaram esses sistemas agora estão abandonando-os. É simples. Os níveis de desempenho das crianças da nação caíram.”

Leia mais aqui.

Para Phil Cullen:

“Felizmente, durante este período, existiram os defensores das crianças que simplesmente não cederam com facilidade. Tem sido uma longa e árdua batalha, do tipo que deve continuar, agora, na vizinha Austrália.”

Leia mais aqui.

Enquanto as consequências desta política nefasta vão ficando claras no cenário internacional, seus defensores, valendo-se do momento político brasileiro, insistem em aplica-la em nosso país.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Estreitamento Curricular, Mendonça no Ministério, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s