Pobreza ficou mais realista: temos 22%

Alguém tentou viver com 1,90 dólares por dia? Sim, isso mesmo, um dólar e noventa centavos. Tente. Este era o valor pelo qual se media a linha de pobreza no Brasil.

Agora o Banco Mundial, por alguma razão, passou a criar uma unidade de comparação entre países que coloca o Brasil entre os países que redefinem este valor de 1,90 para 5,50 dólares. Este é o novo patamar da fome. Se tentar viver com 5,50 dólares por dia, vai ver que a vida continua dura ainda.

O novo corte apenas redefine os valores e não a evolução da pobreza que mantém sua tendência declinante até 2014. É uma redefinição de patamares e das porcentagens, mantendo a inclinação da curva que, agora, em 2015 sobe, pela nova metodologia, para 22%. Esse valor pela medição antiga (1,90 dólares) seria 4,3% da população – uma grande mentira.

Nossa pobreza oficial salta para 22%. Ou seja, passamos de 8,9 milhões de pobres para 45,5 milhões –1/5 da população brasileira. Mais real, sem dúvida. No mesmo bloco, o Chile tem uma pobreza de 10% e o Uruguai 6,2%. Temos a mesma pobreza da Bolívia. Por estes lados somos um dos campeões em miséria, mas queremos estar bem colocados no PISA. Imagine como isso vai ficar com o impacto das reformas “temerianas” que estão sendo impostas aos trabalhadores.

Leia mais aqui.

Eis aí uma das razões do baixo desempenho escolar que a escola não tem como controlar, e só pode de alguma forma tentar lidar com ela se tiver condições. Na escola, o professor faz o possível, agora, como todo professor sabe, é como enxugar gelo, pois a produção da miséria “não para, não para não”. É uma necessidade sistêmica na nossa dinâmica social.

Como afirma Laura Chapman, discutindo com Bill Gates da Fundação Gates:

“Gates quer que sua definição estreita de” educação de qualidade “seja aceita como se fosse a doutrina adequada para melhorar as escolas e também garantir o” futuro econômico e a competitividade dos Estados Unidos “.

“Gates ainda parece pensar que os alunos, especialmente os estudantes de baixa renda, podem e serão bem-sucedidos se tiverem” acesso igual a uma ótima educação pública “. Ele permanece ignorante da abundante pesquisa que mostra que as escolas sozinhas não são responsáveis ou não são solução para a segregação institucionalizada e a pobreza – principais causas de desvantagem grave entre estudantes de baixa renda e estudantes negros.”

Laura Chapman in Ravitch.

 

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Mendonça no Ministério, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão e marcado . Guardar link permanente.

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