Educação em SP: Alckmin perdeu a ética e a vergonha

O governo do Estado de São Paulo perdeu a ética e a vergonha. Vai conduzir um “experimento social” com 122 escolas (metade recebe o tratamento empresarial e metade não, fica como está) para poder justificar dar mais dinheiro para os empresários da educação, como bem esclarece Salomão Ximenes.

Quem paga a conta? Além do Estado e seus associados, as crianças das 61 escolas controle que deverão ficar “congeladas” por quatro anos como efeito demonstrativo de uma suposta falta de competência do serviço público e glória do modelo de gestão empresarial da educação. E onde está a ética desta pesquisa? Para coletar dados de estudantes em uma pesquisa na Universidade, é preciso que um Conselho de Ética examine a pesquisa e autorize os procedimentos. E qual o Conselho de Ética que examinou a “pesquisa” da Secretaria da Educação?

O Ministério Público tem que entrar nisso e olhar este edital agora. Os Deputados estaduais progressistas precisam ser acionados.

Todos sabemos o que acontece onde entra o dinheiro. A vencedora do edital estará pressionada, pois para receber seu dinheiro, depende de mostrar os resultados que obterá. O que ela poderá fazer para manter as 61 escolas inalteradas e valorizar os resultados das outras 62 experimentais? O ramo dos remédios é um bom parâmetro para se analisar o que ocorre quando se junta faturamento com pesquisa.

As associações de pais destas 122 escolas necessitam ser alertadas. Os estudantes precisam reagir. Eles têm conhecimento da experiência? Os professores e gestores, bem como os estudantes, sabem o que está acontecendo e as prováveis implicações do experimento?

Não se faz experimento com política pública para ver se funciona. Esta é mais uma das provas de que a reforma empresarial “baseada em evidência” não existe. Ela procura meios de gerar sua própria “evidência empírica”, longe do contraditório, em ambientes controlados e medidos por ela mesma, como forma de “demonstrar” seus feitos. Recentemente um relatório do Banco Mundial, comentado aqui, fez o mesmo. Apresentou “evidências” sobre como o ensino superior brasileiro é injusto – a partir de dados equivocados, mas que apoiam as teses que o Banco defende (introdução da universidade paga).

O governo Alckmin perdeu a ética e a vergonha.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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9 respostas para Educação em SP: Alckmin perdeu a ética e a vergonha

  1. TEINA LOPES disse:

    QUANTA DEMAGOGIA …É UM ESCROQUE !

  2. Geraldo Antonio Betini disse:

    A que ponto chegamos! Querem mesmo acabar com a escola pública.

  3. Luis Fonseca disse:

    O texto contém vários erros graves, que fazem com que as conclusões sejam completamente equivocadas. Sugiro que leiam este texto como contraponto: http://politica.estadao.com.br/blogs/blog-do-mlg/pagamentos-por-desempenho-no-governo-contratos-de-impacto-social/

    Vamos aos erros, um por um:
    – na verdade as entidades (podem ser ONGs que atuam em educação) só serão remuneradas se atingirem indicadores mínimos de melhora no aprendizado, por exemplo, aumentar em 7% a proporção de alunos que conclui o Ensino Médio. De toda forma, se a entidade atingir essa meta, ela estará gerando um ganho enorme para o estado de SP, representando até um ganho de ordem financeira. Por isso mesmo, remunerar a entidade por atingir as metas não significa redução de recursos. Em outras, palavras: só pagamos se der muito certo.

    – o estado continuará agindo nas escolas “congeladas” como em todas as outras escolas, inclusive as 61 que estarão recebendo a ação do parceiro. Ou seja, elas não estarão prejudicadas de nenhuma maneira. A necessidade de ter escolas que não receberão melhorias é poder mensurar o valor dessas melhorias. Se de fato, após o período de testes, essas melhorias se provarem relevantes, serão estendidas para o resto do estado.

    – o parceiro não terá gestão sobre as 61 escolas inalteradas.

    – quando se tem ideias interessantes, mas não há provas concretas dos benefícios, o que se faz é justamente um teste em escala reduzida e se verificam os resultados. Os benefícios se provando interessantes, expande-se a política pública. É o que está fazendo a Finlândia com a renda básica, por exemplo: https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/oct/31/finland-universal-basic-income

    • Bem. Há algumas questões, então, a serem examinadas. Se as 61 do “grupo controle” não servem para nada no delineamento experimental, em primeiro lugar, não deveriam chamar-se de grupo controle; em segundo lugar, há modelos experimentais mais adequados para serem usados nestes casos. Eles não estão sendo usados. Por que? Terceiro, qual a razão de incluir 61 escolas escolhidas do município de SP para contrastar? Se o grupo controle não é grupo controle, então não serve para nada.
      Outro ponto: não se faz experimento com políticas sociais, misturada a faturamento. Se o objetivo é avaliar em grupo pequeno, contratem equipes de pesquisadores com métodos adequados e “desisteressados” para poder chegar à conclusão. Existem pelo menos 3 universidades públicas no Estado que poderiam ajudar nisso, sem gastar 17 milhões em pesquisa de risco – até porque exatamente não se sabe se haverá ou não redução.
      Finalmente, é preciso colocar o “experimento” em perspectiva. Ele abre portas para outras ações que, em outros paises, levaram exatamente a criar um duto para passar dinheiro público para empresas. Até quando você acha que os empresários e o BID vão enfiar a mão no próprio bolso?
      Abraço
      Luiz

      • Luis Fonseca disse:

        Caro Luiz,

        Agradeço a resposta. Acredito ter me explicado mal e tentarei esclarecer abaixo:

        1) As 61 escolas são um grupo de controle. Mas isso não significa que estarão “congeladas”. Elas continuarão a receber as ações que o governo realiza em todas as escolas do estado. Assim, elas não estão sendo prejudicadas com relação ao restante da rede. Elas simplesmente serão monitoradas de forma a se mensurar o benefício relativo que as escolas que receberam ações do parceiro terão. Assim, se as escolas do grupo de controle aumentarem em 3% a proporção de alunos que conclui o ensino médio, as escolas que receberem ações do parceiro terão de aumentar em ao menos 10% essa proporção, de forma que a diferença seja igual ou superior a 7%.

        2) Posso ser provado do contrário, mas não vejo porque não incluir faturamento.
        Isso porque: i) o gasto para o estado de SP só ocorrerá em caso de sucesso do experimento. Por essa razão, não concordo com a afirmação que “cria-se um duto para passar dinheiro público para as empresas”. Apenas se paga em troca de resultado; ii) em si, o sucesso do experimento representa economia para o estado de SP, por representar um número maior de jovens concluindo o Ensino Médio. iii) os resultados do experimento serão comprovados por um terceiro independente. Ou seja, nem pelo estado, nem pelo parceiro. iv) os contratos de impacto social não são uma invenção brasileira: eles existem em outros lugares do mundo. E envolvem remuneração. Segue um estudo da respeitadíssima Woodrow Wilson School de Princeton: https://wws.princeton.edu/sites/default/files/content/Social%20Impact%20Bonds%202014%20Final%20Report.pdf

        3) Embora incluir universidades na públicas no processo de revisão de políticas públicas devesse ser feito com muito mais regularidade e intensidade, a princípio não vejo essa inclusão como condição sine qua non para realizar um experimento. Existem diversas ONGs respeitadas que atuam com educação e que podem, sim, auxiliar o estado em melhorar as suas práticas. Por que não deixá-las tentar? O máximo que pode acontecer é o experimento não dar certo, o que, nesse caso, não acarreta custo algum para o estado, pois o risco está todo com o parceiro. Além disso, estão previstos mecanismos para que, caso haja piora das métricas em avaliação, o estado possa rescindir o contrato.

        Abraços,

      • Ocorre que o experimento, se assim pode ser chamado pois o modelo experimental está errado, não é para obter resultados. Isso é o de menos. O modelo está sendo implementado para mostrar que a iniciativa privada e a administração privada não.
        Neste sentido, é um experimento covarde, pois não se faz nada mais do que já se faz com 61 e dá-se todas as condições para outras 62. As condições não são comparáveis. Para serem comparáveis dever-se dia dar 17 milhões para 61 escolas pracebos e 17 milhoes (contra resultados) para as ONGs. Os procedimentos seriam padrão para as duas e, ao final, se poderia, caro os parâmetros destas escolas fossem comparáveis em um conjunto de indicadores, tirar alguma conclusão.
        Enfim, paro por aqui. Abraço e obrigado pelo debate.
        Luiz

      • Luis Fonseca disse:

        Caro Luiz,
        Apenas para finalizar: acontece que o governo do estado não tem esses R$ 17 milhões hoje. Por isso, o parceiro privado entra e assume o risco. Unicamente se comprovados os resultados, o estado remunera o parceiro. Vale repetir: esse valor, R$ 17 milhões, se paga por si só pelo benefício que ele traz: mais jovens concluindo o Ensino Médio.
        De posse de um modelo comprovado, o estado poderia expandir para toda a rede, ciente do benefício que trará.
        Esse modelo de experimento é o usado em todos os testes de medicamentos do mundo. Para um paciente se dá o placebo e para o outro se dá o medicamento. Uma vez comprovado que o medicamento funciona, ele passa a ser disponibilizado para o restante da população.
        Abraços e obrigado!

  4. Glauria disse:

    Enquanto faz experiências o tempo passa e o investimentos que realmente seriam destinados para tal, são usados p outros fins

  5. rosergioalmeida disse:

    O que dizer de um governador q da mais atenção aos infratores do q a nossos filhos. Escola caindo aos pedaços contendo ridículo ensinado nas apostilas. Quase todas as matérias sem suporte. Carteiras quebradas. Salas de informática fechadas. E o professor a cada início de ano tem q passar por uma via sacra pra poder trabalhar pois a cada ano ele fecha em torno de 4000 salas de aula um governo q quer acabar com o período noturno para deixar nossos jovens ociosos à beira da c4imilinalidade. Além do salário de professor ser menor q um bolsa presídio. O único material q recebemos a cada início de ano é um bastão de fiz. Canetas sulfite e acreditem copos e papel higiênico quem leva é o professor pois as escola não tem verba para iddo

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