Sobre “escolas milagrosas”

Já falamos aqui neste blog sobre a vocação da reforma empresarial para elevar experimentos limitados e realizados em circunstâncias específicas a exemplos a serem seguidos pela nação. A moda é antiga nos Estados Unidos:

“O exemplo mais recente vem de Washington, DC, onde, em junho, foi amplamente divulgado que [uma escola charter] Ballou High School, onde poucos alunos foram proficientes em matemática ou inglês, no entanto, enviou incrivelmente todos os seus estudantes para a faculdade.”

Nos Estados Unidos, um dos critérios de eficiência de uma escola é se os estudantes entram ou não na faculdade (college), o que está começando a ser usado no Brasil. Mas, quando o “milagre” é investigado mais de perto o que se encontra é outra coisa:

“Quando a NPR e a estação de rádio pública local WAMU uniram forças para reexaminar o milagre de Ballou, descobriram que a metade dos diplomados havia perdido pelo menos três meses de aulas em um único ano letivo. Um quinto deles esteve ausente por mais da metade do ano letivo. Os professores se queixaram de terem sido instruídos a dar aos alunos uma pontuação correspondente a 50 por cento nas tarefas que não tinham sido entregues, e que eles foram pressionados a aprovar estudantes cujo trabalho nem remotamente merecia.”

A explicação é simples: a reforma empresarial pressiona a obter números.

“Como resultado, as escolas freqüentemente tomam atalhos para números melhores. Elas ensinam para o teste e, em alguns casos, se envolvem em trapaça. Elas encorajam os estudantes de baixa pontuação a abandonar a escola, e algumas escolas charters tornam difícil para estudantes de menor alcance entrar pela sua porta.”

Eis como se fabrica o “milagre”.

Leia íntegra aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Meritocracia, Reforma e Fraudes, Responsabilização/accountability e marcado , . Guardar link permanente.

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