Giroux: quando o passado nos condena…

Da mesma forma que não se pode entender a “pena de morte” nos USA sem a história dos linchamentos (quem não se lembra de ter visto nos filmes do “velho oeste” julgamentos e linchamentos sumários?), assim também, pode se dizer que não se consegue entender a eleição de Bolsonaro (militar da reserva) e suas ideias sem a história da ditadura brasileira. Daí a necessidade de alguns em reescrever aquela história a seu modo, retirando-lhe o incômodo, ou até mesmo negar que tenha existido, como faz Bolsonaro.

Henry Giroux, ao examinar os acontecimentos sob Trump nos Estados Unidos, fornece uma base conceitual que retrata bem o atual momento brasileiro.

“Quando uso a frase esquecimento organizado, o que estou invocando é a noção de que a memória histórica, o testemunho moral e a consciência histórica são absolutamente centrais para qualquer noção do que significa ser um cidadão informado criticamente. Se você não consegue lembrar o passado, como diz o ditado – e não é um clichê – você não aprende com ele. E parece-me que existimos numa época em que é mais importante aprender com o passado do que em qualquer outro momento do passado recente, dadas as condições em que nos encontramos.”

Giroux dá dois exemplos que embora diferentes explicitam o seu conceito:

“Quando você fala particularmente sobre o caso Kavanaugh [juiz de direita indicado por Trump para a Suprema Corte] ou o movimento #MeToo, eles representam dois momentos diferentes que eu chamaria de “esquecimento organizado”. Para um deles, Kavanaugh e aquele grupo de republicanos de extrema direita e instituições conservadoras que o apoiam, o esquecimento organizado é uma virtude porque eles não querem que as pessoas saibam sobre seu passado. Eles não querem ressuscitar o passado em que as mulheres eram vítimas de violência masculina. Eles não querem falar sobre como a misoginia informou a história americana de tal forma que é hora de olhar para ela e dizer que isso não pode continuar.

Há um longo legado aqui, e o que estamos fazendo agora tem que estar conectado a esse legado, assim como alguém diria que a pena de morte não pode ser entendida sem olhar para o legado do linchamento nos Estados Unidos – eles estão ligados, e esses links são importantes.

Então, o grupo Kavanaugh adoraria eliminar a história, assim como o próprio Kavanaugh parece cair na armadilha de dizer “não me lembro”. Ele está fugindo do passado porque o passado o condena.”

Leia mais aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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