Tecnologias e infância: recomendações aos pais

Young

Nancy Carlsson-Paige, especialista em desenvolvimento infantil, preocupada com o cerco que as mídias interativas estão criando ao redor das crianças pequenas desde cedo, elaborou um manual para os pais. Ela examina seis ideias fundamentais no campo do desenvolvimento infantil:

  1. As crianças utilizam todo o seu corpo e todos os seus sentidos para aprender sobre o mundo.

  2. As crianças aprendem pela experiência direta no mundo real.

  3. As crianças aprendem inventando ideias.

  4. As crianças dão sentido ao seu mundo através da brincadeira.

  5. As crianças constroem habilidades de resiliência e resistência através da brincadeira.

  6. As crianças vivem e aprendem em um contexto de relações sociais.

As recomendações são:

  1. “Cerque as crianças pequenas com oportunidades para se movimentarem e explorarem usando todo o seu corpo e todos os seus sentidos.

  2. Forneça às crianças pequenas todos os tipos de objetos a serem explorados. E tente dar-lhes muitas oportunidades de interação social – lembrando que as crianças crescem cognitivamente, socialmente e emocionalmente enquanto se envolvem ativamente com materiais e pessoas.

  3. Mantenha as crianças longe das telas dos equipamentos nos dois primeiros anos de vida, tanto quanto possível, e reduza o uso da tela ao mínimo durante os primeiros anos da infância. Quando uma criança quer ficar na tela, podemos nos perguntar: “Qual é o potencial dessa atividade para estimular a imaginação e/ou o seu desenvolvimento social? Não existiria uma experiência mais benéfica e envolvente disponível para o meu filho agora?”

  4. Tente fornecer um espaço (até mesmo um canto de um quarto em um apartamento pode funcionar bem) e tempo ininterrupto para as crianças brincarem todos os dias.

  5. Dar às crianças materiais não-definidos (playdough, materiais de arte, blocos e materiais de construção, objetos domésticos) para brincar, o que encorajará o jogo mais profundo, criativo e extenso possível.

  6. Tente prestar atenção consciente ao seu próprio uso de dispositivos móveis na presença de crianças e tente deixar os dispositivos de lado até mais tarde, tanto quanto possível.

  7. Tente fazer com que o uso da tela em equipamentos pelas crianças seja uma escolha consciente e não algo para o qual nos voltemos automaticamente.

  8. Tente praticar a arte de estar totalmente presente com as crianças, dando-lhes toda a nossa atenção, mesmo que seja apenas por alguns momentos.

  9. Evite usar telas de equipamentos eletrônicos para ocupar as crianças ou distraí-las de seus sentimentos ou momentos difíceis. Mantenha facilmente acessíveis materiais não-definidos como massa, marcadores e papel, materiais de construção.

  10. Esteja alerta ao ambiente escolar que as crianças têm e defenda salas de aula que envolvam as crianças por meio do aprendizado lúdico e permita que elas sigam sua própria curiosidade, em vez do aprendizado didático que é tão difundido hoje em dia.”

Baixe aqui (em inglês).

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Avaliação na Educação Infantil, Links para pesquisas, Responsabilização/accountability e marcado , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Tecnologias e infância: recomendações aos pais

  1. aurea03Áurea disse:

    Olá professor Luiz,
    Esse tema é importantíssimo para o debate tendo como foco as escolas de educação básica. É um debate muito difícil de ser feito porque temos muito pouco tempo para fazê-lo no nosso cotidiano atarefado e acaba prevalecendo aquele “argumento” de que a escola tem que acompanhar as mudanças que ocorrem na sociedade, e que não se deve ver a tecnologia como vilã. Infelizmente o tema acabou voltando à pauta por causa do triste episódio da deputada eleita aqui em SC, que sugeriu através das redes sociais, que os estudantes filmassem seus professores para denunciá-los. Esse episódio causou um verdadeiro pavor em muitos professores e resultou na busca por mecanismos para restringir o uso dos celulares nas escolas. Uma pena poque a solução momentânea não resolve o problema de fundo que é buscar compreender o impacto desses usos tecnológicos no processo de formação dos nossos estudantes.
    Obrigada por compartilhar esse material!
    Abs!

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