Líderes americanos contra as reformas na formação de professores

O National Education Policy Center divulga, hoje, manifesto de 350 decanos, ex-decanos de Faculdades e Escolas de Educação, bem como outras lideranças contra as reformas na formação de professores que de há muito fracassam naquele pais.

São as que, agora, infelizmente, estão sendo transferidas para o Brasil. O posicionamento é extremamente oportuno, face às discussões que estão em curso no Conselho Nacional de Educação no Brasil, sobre formação de professores.

Os líderes que assinam o documento, que incluem reitores, reitores associados, diretores e presidentes, trabalham em instituições públicas, privadas e religiosas do ensino superior, abrangendo mais de 30 estados americanos. A declaração tem o título de “Sete tendências para reformar a formação de professores nos Estados Unidos e a necessidade de se lidar com injustiças sistêmicas”.

Na declaração, os líderes pedem uma mudança significativa no curso da formação de professores americana. Segundo o NEPC:

“A declaração começa afirmando que os programas de formação de professores “sem dúvida … não podem e não devem ser vistos como se tudo estivesse bem, porque não está”. Mas os líderes alertam que “vários esforços atuais para reformar a educação de professores nos Estados Unidos”… Estão piorando as coisas. ” Essas tendências, explicam, compartilham a falha fundamental de se concentrar em soluções hiper individuais e baseadas no mercado, ligadas a ideias fracassadas sobre desempenho dos alunos, responsabilização do professor, recompensas e punições, em vez de abordar o legado de injustiças sistêmicas em instituições educacionais e propor estratégias para aumentar a democracia participativa.”

O documento examina as sete tendências de reforma contra as quais estão se manifestando:

• Mercantilizar a formação de professores na esperança de que a existência de concorrência e de mais alternativas estimulem o auto-aperfeiçoamento;

• Infringir vergonha à formação de professores na esperança de que as notas baixas estimulem o auto-aperfeiçoamento;

• Regulamentar externamente a formação de professores ao nível federal com métodos estatisticamente imprecisos para avaliar os programas;

• Regulamentar externamente a formação de professores em nível estadual, com aumento dos requisitos de entrada no programa de formação que impedem a diversidade, sem melhorar a qualidade dos professores;

• Regular internamente a formação de professores com credenciamento que se baseia em uso de dados e padrões problemáticos;

• Avaliar candidatos a professores com instrumentos e formas de usá-los problemáticas; 

• Prescrever práticas que definem de maneira muito restrita os resultados esperados de alunos e professores.

“A declaração dos líderes destaca pesquisas que mostram como, “de várias maneiras, essas abordagens carecem de uma base sólida de pesquisa e, em alguns casos, elas já provaram aumentar as disparidades”. 

A declaração conclui com uma visão alternativa para a formação de professores que fortaleça a equidade e a justiça nas escolas:

“Nossa proposta apela aos programas de formação de professores para que enfrentem a realidade de que as instituições educacionais nunca foram e nunca podem ser neutras política ou ideologicamente. As desigualdades educacionais e as injustiças sociais mais amplas prejudicam as crianças, particularmente as de grupos historicamente marginalizados. Essas mesmas desigualdades e injustiças enfraquecem o tecido de nossa democracia.

Faculdades e escolas de educação desempenham um papel vital na perpetuação e na transformação de tais problemas. Ou seja, com conhecimento ou não, e intencionalmente ou não, faculdades e escolas de educação há muito perpetuam injustiças e não são imunes à discriminação e preconceito ou a formas mais sutis de preconceito, mesmo quando trabalhamos para intervir. Uma contradição central e inevitável de nosso trabalho é que as injustiças – tudo, desde racismo e sexismo, colonialismo e neoliberalismo, até outros “ismos” – permeiam e perduram mesmo quando estamos envolvidos em um trabalho orientado para a justiça e pela equidade.”

E finaliza:

 

“Como decanos da educação comprometidos com a justiça e a equidade e cumprindo a assustadora responsabilidade de preparar educadores para as escolas de nosso país, pedimos e nos comprometemos a recuar destas reformas (…)”

Acesse a íntegra aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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