Suécia: mais um fracasso da privatização

Muitas vezes já trouxemos aqui no Blog o que foi o fracasso da privatização no Chile. Diane Ravitch publica em seu blog, agora, o que foi o fracasso da privatização na Suécia. Diz:

“Per Kornhall é um acadêmico sueco da área da educação amplamente conhecido. Ele escreveu este post para o blog. Suécia e Chile são as duas nações que decidiram introduzir a privatização em partes significativas de seu sistema escolar nacional. Os resultados são alarmantes. Como as mesmas forças do livre mercado estão em ação nos Estados Unidos, é importante acompanhar os eventos e tendências nessas nações.”

É claro que as mesmas forças de mercado que atuam nestes países também estão em plena atuação no cenário brasileiro, como se viu na aprovação do FUNDEB, com sucessivas tentativas de transferir recursos públicos para a iniciativa privada.

Em seu post, publicado por Diane, Kornhall afirma:

“Então, o que aconteceu com o sistema escolar nacional na Suécia é que deixou de ser um compromisso da sociedade para garantir que todas as crianças tenham uma boa escola em sua vizinhança, e se tornou um mercado escolar. Os pais “compram” uma educação por meio de sua escolha de escola e dos vouchers que acompanham o aluno. Este voucher é o único financiamento que uma escola em um município típico da Suécia tem como receita. (…)”

“Pode ser importante dizer isso novamente. Assim, a Suécia passou de um sistema escolar nacionalmente com equidade e alto desempenho para um mercado escolar medíocre e desigual. Um mercado onde é importante que todos, agentes públicos ou privados, se identifiquem com o fato de pais e alunos serem clientes.”

O autor mostra as consequências que sempre envolvem estas experiências:

“Isso, por exemplo, levou a uma grande inflação de notas. Como as notas se tornam algo com que você pode competir, há pressão sobre os professores para definir notas altas. (…) Duas outras consequências importantes do mercado são a falta de professores e uma segregação galopante. Em uma típica cidade sueca de hoje, crianças de pais instruídos se reúnem em escolas particulares com fins lucrativos, enquanto crianças da classe trabalhadora e imigrantes frequentam escolas do sistema público de ensino. (…) E estamos falando de muito dinheiro. Estamos falando de dezenas de milhões de dólares de lucro líquido ao ano, por grupo escolar.

O autor ainda aponta que além da escassez de professores (30% dos que ensinam sueco K1-9 agora não são professores qualificados), ainda há a produção de uma formação que tem resultados de alcance reduzido, promoção de desigualdade e segregação.

E conclui:

“O desenvolvimento [destas experiências], tanto na Suécia quanto no Chile, é um forte alerta para outros países não seguirem o mesmo caminho.”

(Para obter mais informações sobre como um mercado escolar sueco foi estabelecido, consulte o Capítulo 4 em Frank Adamson et al. (2016). Reforma da educação global. Como a privatização e o investimento público influenciam os resultados da educação. Nova york. Routledge.)

Leia íntegra do post aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Homeschooling, MEC sob Bolsonaro, Meritocracia, Pastor Milton no MEC, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão, Vouchers e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

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