Games educativos?

O advento das plataformas educacionais vem acompanhado também pela proliferação dos jogos ditos educativos. Em outros países, os problemas já estão se apresentando e geram polêmicas. Abaixo, segue matéria do National Education Policy Center sobre um destes jogos nos Estados Unidos.

A matéria comenta a carta de um conjunto de entidades que afirma que o jogo educativo contém mais anúncios do que aulas de matemática, além do marketing que inclui afirmações duvidosas sobre a sua capacidade de “aumentar a aprendizagem em matemática”. E continua:

“Estas são apenas duas das reivindicações incluídas em uma carta de denúncia apresentada pela Campaign for a Commercial-Free Childhood (CCFC) e mais de 20 outras organizações contra (…) um programa de matemática online moderno, interativo e gamificado que visa crianças entre as idades de 6 e 14. A carta foi enviada à Federal Trade Commission, que investiga denúncias de práticas comerciais desleais ou enganosas.”

A carta é assinada por: Campaign for a Commercial-Free Childhood, Badass Teachers Association, Berkeley Media Studies Group, Center for Digital Democracy, Center for Humane Technology, Consumer Action, Consumer Federation of America, Consumer Federation of California, Defending the Early Years, Electronic Privacy Information Center (EPIC), Media Education Foundation, Network for Public Education, Obligation, Inc., Open MIC (Open Media and Information Companies Initiative), Parent Coalition for Student Privacy, Parents Television Council, Parents Together Foundation, Peace Educators Allied for Children Everywhere (P.E.A.C.E.), Public Citizen, the Story of Stuff Project, TRUCE (Teachers Resisting Unhealthy Childhood Entertainment), and U.S. PIRG Education Fund.

“Outra alegação na denúncia da CFCC é que as crianças são induzidas a pressionar seus pais a comprar assinaturas premium (…). A versão premium permite que os membros que a compram colecionem brindes eletrônicos como fantasias e feiticeiros, tudo à vista de seus colegas de classe, cujos pais não podem pagar por uma taxa anual de US$ 100 pelos extras divertidos.”

“A versão dos jogos concebidos para uso escolar não inclui anúncios. Mas as crianças são incentivadas a continuar a brincar em casa. E a CCFC descobriu que a versão doméstica gratuita tem quatro vezes mais anúncios do que perguntas de matemática. As crianças que usam essa versão são bombardeadas com pedidos de atualização para versões pagas que podem custar até US$ 100 por ano.”

A CCFC diz que isso levanta questões de equidade:

“As crianças [na sala] podem ver quem tem as coisas legais e quem não tem, criando assim duas classes de alunos – aqueles cujas famílias podem pagar uma assinatura premium e aqueles cujas famílias não podem. Para piorar a situação, os alunos com uma assinatura premium avançam no jogo mais rapidamente, criando a falsa impressão de que eles são mais talentosos em matemática.”

Leia aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Links para pesquisas, Segregação/exclusão e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s