Avaliar o magistério melhora a educação: mais um mantra que cai

Os reformadores empresariais gostam de falar de “evidências empíricas” como base para suas reformas educacionais. Pois bem, aqui está mais uma evidência empírica de que suas reformas não funcionam.

Diane Ravitch comenta artigo da Education Week que divulga um novo estudo, realizado por Joshua Bleiberg et al. associado ao Instituto Annenberg para Reforma Escolar, da Brown University, e mostra que mais de uma década de reformas focadas em avaliações mais rigorosas do magistério não produziu melhoria nas pontuações dos alunos nos testes.

Diane relembra que alertas não faltaram. Houve alerta para a ineficácia destes procedimentos mas eles foram menosprezados. Inclusive Obama e Duncan valeram-se de um estudo feito em 2011 pelo economista de Harvard Raj Chetty et al. no qual advogavam pela avaliação do magistério por valor agregado, vinculando salários ao desempenho, ou seja, levando em conta se os alunos da turma do professor haviam ou não aumentado seu desempenho, o que foi matéria de primeira página no New York Times, outra matéria no PBS Newshour e uma menção laudatória no discurso do presidente Obama sobre o Estado da União em 2012.

“Chetty et al concluíram que melhores professores faziam com que os alunos obtivessem notas mais altas nos testes, se graduassem com mais frequência, ganhassem mais renda ao longo da vida e – para as meninas, tivessem menos probabilidade de ter nascimentos fora do casamento. Como um dos autores disse ao New York Times, a mensagem de nosso estudo é que maus professores devem ser demitidos antes cedo do que tarde.”

Outro pesquisador que embarcou neste mantra foi Hanushek, que é lido no Brasil e recentemente andou pela OCDE.

A pesquisa cobriu o período entre 2009 e 2017, que foi “impulsionado por incentivos federais, investimentos filantrópicos e um esforço nacional pela responsabilização na educação K-12, para implementar sistemas de avaliação de professores de alto impacto em quase todos os estados.”

 “Houve uma enorme quantidade de tempo e bilhões de dólares investidos na implantação desses sistemas, e eles não tiveram os efeitos positivos que os reformadores esperavam”.

Quem se “responsabiliza” por isso? Enquanto implementam balelas (rentáveis para o mercado educacional!!) e destroem o magistério, deixam de cuidar, de fato, da qualidade da educação.

Leia aqui post de Diane Ravitch.

Acesse o estudo de Joshua Bleiberg et al. aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Avaliação de professores, Links para pesquisas, Meritocracia, Responsabilização/accountability e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

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