Publicado originalmente na UOL em 9/10/2012
Um dos temas mais abordados pelo Movimento Todos pela Educação e seus defensores é o do direito à educação. Curiosamente, foi a esquerda que sempre defendeu este direito. Mas agora, ele aparece entre os liberais.
Qual a diferença? Simples. Para a esquerda o direito à educação é o direito a resultados iguais. Claro que há características pessoais que influenciam. Mas isso aparece nas opções que cada um faz. Para os liberais, o direito à educação não se refere à igualdade de resultados, mas a igualdade de oportunidades.
Bem, isso é diferente, pois dar ‘oportunidades iguais’ tem uma “petição de princípio” que supõe que todos estão em igualdade para competir. Falso. Há miséria, há desigualdade social. O discurso do direito à educação liberal é uma cortina de fumaça para a desigualdade social. Só isso.
De fato todas as soluções indicadas pelos liberais para garantir o direito à educação mostraram-se, como já foi veiculado neste Blog, indutoras de maiores desigualdades: vide Chile – um dos sistema mais desiguais do mundo e o próprio EUA.
Enfim, o discurso do direito, oculta a negação do direito.
Os empresários do Movimento Todos pela Educação dedicam-se durante a semana a produzir a miséria dos homens em suas instituições financeiras e empresariais. Nos fins de semana, transmutam-se em cidadãos benemerentes que pretendem ocultar a própria miséria que geraram. E de quebra, se dizem defensores dos pobres e do direito destes a aprender.
O maior impedimento para a aprendizagem nas escolas é a própria miséria que estes senhores geram no mundo.