Anotações do cotidiano

Postado originalmente na Uol em 26/05/2011

O estilo gerencialista da presidenta continua trazendo problemas. Primeiro, não faz política. Está desaparecida da mídia, não fala, não dá entrevistas, nada. É avessa à política. Bem ao estilo gerencialista.

Instada a reagir, não respeita instâncias, passa pito e toma decisões apressadas. Foi o caso do Kit sobre educação sexual. Foi Lula quem teve que ligar para Haddad para se informar. Resultado, apresentaram a ela um material que não faz parte do Kit do MEC e com base nele ela suspendeu um Kit que nunca viu. Isso acontece quando se centralizam as decisões, não se ouvem as instâncias ministeriais, bem no estilo “executivo”.

Outro assunto que domina os jornais foi a aprovação do código florestal. O governo perdeu na câmara. A única reação foi ameaçar vetar o código. Note-se que em relação ao código, pelo menos a presidenta se posicionou. Isso já é um avanço. Dificilmente sabemos o que o governo pensa sobre suas políticas públicas.

Mas é diferente com a educação. No caso do código, o “efeito Marina” das eleições ainda está muito presente. A presidenta sabe que será cobrada por isso nas próximas eleições. Infelizmente, não temos mesma sorte na educação. Aqui, o que há é uma classe média emergente desejosa de consumir educação. A presidenta sabe que será cobrada se não der à classe média mais educação – não importa se pública ou privada.

Devemos esperar, torcendo para que não, uma maior unidade de pensamento na base governista na questão da educação, o que significa que, muito provavelmente, caminharemos em direção às reformas empresariais da educação. Mais do que discutir financiamento, a questão é política.

Mas, quem conduz o processo de crítica ao PNE do governo é a Campanha Nacional pelo Direito à Educação – um conglomerado de entidades. O debate político que poderia ser puxado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação e outras, não ocorre. Estas entidades estão paralisadas. A Campanha não discute as questões do ponto de vista político e, portanto, não se constitui em trava para os eventuais avanços da política dos reformadores empresariais na esfera federal.

De pouco adianta passarmos o financiamento da educação de 7% para 10% se depois este dinheiro irá alimentar a iniciativa privada via conceito de educação pública não estatal. Se duvidar, até ela mesma apoiará esta ampliação dos recursos, de olho em seu faturamento.

Aguardemos.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Fernando Haddad no Ministério, Postagens antigas da UOL. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s