Finalizando o primeiro macrotema (X)

Postado originalmente na Uol em janeiro/2011

Vimos que tanto a carreira do magistério como as agências de formação atuais, pela proposta do Manifesto, serão colocadas em extinção. Uma nova carreira é proposta, voluntária, via CLT e com regras de mercado. Da mesma forma, uma “revolução nas Faculdades de Educação” e a “revitalização dos institutos superiores de educação” é proposta para as agências formadoras.

Nos dois casos, como nos Estados Unidos, haveria credenciamento: tanto do profissional, como das agências formadoras, a última via CAPES.

A postura liberal do Manifesto marca, no Brasil, a introdução da lógica dos negócios e de mercado no campo da educação. Isto é distintivo. E esta é uma questão importante: trata-se de abrir o setor público da educação para o mercado, para a iniciativa privada – é disputa por mercado que ao mesmo tempo permite hegemonia de ideias, à medida que constroem seus próprios espaços de exercitação e financiamento. Neste processo, os liberais/conservadores estão pensando na expansão do controle da iniciativa privada sobre os espaços educacionais – seja para faturar, seja para hegemonizar suas ideias. Isso tem a ver também com a emergência da nova classe C, durante o governo Lula. Esta classe quer mais consumo – inclusive em educação. A iniciativa privada já farejou isso – um novo mercado educacional está à disposição juntamente com o crescimento da classe C. Já mostramos, anteriormente, a vinculação de boa parte dos especialistas que estiveram na preparação do Manifesto com o mercado educacional. Já mostramos igualmente a vinculação das entidades signatárias com as corporações empresariais brasileiras. Em relação a estas últimas também está em jogo o entendimento da educação como um subsistema do aparato produtivo.

O Governador do Rio de Janeiro, em sua posse, já anunciou que irá distribuir bônus para os professores do Estado. Aos poucos estas ideias estão sendo implementadas. Cabral é da base aliada de Dilma.

O item final deste primeiro macrotema, diz respeito a publicidade. Em um estudo coordenado pela MacKinsey, este item não poderia faltar. Trata-se de conduzir uma campanha nacional nos meios de comunicação para que “voltem a ganhar o status que tinham no início do século 20” (sic).

No segundo macrotema, será a vez dos Diretores: “Fortalecimento da Liderança e da capacidade de Gestão nas Escolas”.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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