Os empresários e a educação, receitas que nos atingem

Postado originalmente na Uol em 25/07/2010

Há muitos anos que a educação vem sendo definida pelos empresários nos Estados Unidos. Sua forma de atuação é persistente e contínua. Os últimos 20 anos de desenvolvimento da educação americana mostram a forma de atuação desta categoria. No Brasil, o Estado de São Paulo é o que é mais sensível a esta política, pelo fato de estar há mais de 15 anos nas mãos de políticos neoliberais, ponta de lança dos interesses das corporações.

A atuação vai se dando por sucessivas investidas em especial no plano da administração, da gestão dos sistemas educacionais e através de formulação de leis. A título de envolver a comunidade na educação, coloca a escola nas mãos dos empresários, comerciantes, etc. Essa é a história da educação nos Estados Unidos desde os anos 20 (Au, 2009).

A mais nova face das demandas desta categoria pode ser encontrada no relatório do National Center on Education and the Economy: “Tough choices or tough times”.

Neste relatório as corporações fazem proposições sobre o sistema público de educação americano e sobre a questão da formação de seus professores.

Segundo Au (2009) o relatório considera o sistema educacional público como algo desatualizado, ineficiente e insuficiente para treinar as novas gerações de trabalhadores criativos necessários para os Estados Unidos competirem no mercado global. O relatório considera que atual sistema de formação de professores deve ser descartado e um novo sistema deve ser desenvolvido onde cada Estado tenha sua Agência de Desenvolvimento do Professor para centralizar e coordenar o recrutamento, o treinamento, a certificação. O relatório ainda sugere desmantelar o atual sistema de aposentadoria e criar um que espelhe a forma de atuar das corporações industriais, associado a uma estrutura de pagamento por desempenho.

Como se pode ver, o que o Estado de São Paulo está ensaiando não é mera coincidência.

Este relatório, encontra-se disponível, desde 2007, e se propõe a ser, hoje, o segundo “A nation at risk” que foi elaborado na era Reagan em 1983.  O link abaixo leva até ele. Boa leitura.

http://www.skillscommission.org/pdf/exec_sum/ToughChoices_EXECSUM.pdf

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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