Os novos reformadores: antecedentes do “Manifesto” (I)

Postado originalmente na Uol em dezembro/2010

Como mencionei vamos iniciar uma série de postagens analisando o documento dos “novos reformadores”, os quais tendo perdido as eleições, se articulam agora via ONGs, fundações das corporações empresariais, mídia e empresariado da área educacional, para construir um governo paralelo da educação (pelo menos é que se crê à primeira vista, pode ser que não seja paralelo!).

Segundo pode-se ler na página 2 do documento “A transformação da qualidade da educação básica pública no Brasil” doravante chamado apenas de “Manifesto” (pois compara-se, na página 4, ao Manifesto dos Pioneiros da educação de 1932), em 25 de maio de 2010 as entidades signatárias reuniram 12 especialistas em educação pública no Brasil para despretensiosamente ou seja, “sem as restrições político-partidárias, orçamentárias ou corporativistas”, indicassem caminhos para “eliminar o enorme fosso existente entre a qualidade da educação básica verificada no Brasil e aquela dos países mais desenvolvidos”.

Estes especialistas – note: que não são os signatários do Manifesto, pois ele sai em nome das seguintes entidades: Casa do Saber, Fundação Aprendiz, Fundação Bradesco, Fundação Educar, Instituto Ecofuturo, Instituto Natura, Instituto Unibanco, Parceiros da Educação, incluíam: Guiomar Namo de Mello, Eduardo Giannetti da Fonseca, Claudio de Mora e Castro, Luis Carlos Menezes, Eunice Ribeiro Durham, Mozart Neves Ramos, Maria Helena Guimarães de Castro, Rubein Klein, Mauro Aguiar, José Francisco Soares, Carlos Roberto Jamil Cury e Reynaldo Fernandes.  Estes especialistas foram coordenados pela Consultoria McKinsey e pelo jornalista G. Dimenstein.

As entidades signatárias do Manifesto, então, prepararam a versão que divulgaram em 16-12-2010. Voltaremos a discutir as propostas pormenorizadamente em outras postagens. Por ora começaremos por apresentar as vinculações de alguns destes 12 participantes das discussões. As signatárias do documento dispensam apresentação.

Guiomar Namo de Mello é diretorada EBRAP – Escola Brasileira de Professores, empresa dedicada a estudos, iniciativas e projetos na área de educação inicial e continuada de professores da educação básica. Nessa empresa está prestando consultoria para projetos de formação inicial de professores da educação básica em nível superior, presenciais e a distância.

Eduardo Giannetti da Fonseca, ligado ao IBMEC que se tornou INSPER. O Insper atual derivou inicialmente do Ibmec, Instituto Brasileiro de Mercados e Capitais, entidade sem fins lucrativos criada para produzir pesquisas nessa área, localizada no Rio de Janeiro. Por volta de 1987-88, o Ibmec iniciou suas operações em São Paulo, situando-se na esquina das avenidas Paulista e Brig. Luís Antônio. Inicialmente, o Insper contava apenas com o MBA Finanças, mas ao longo do tempo desenvolveu novos programas, como o MBA Executivo, em 1998; e o programa lato sensu em direito, o LLM Master em Laws, com ênfase em negócios, em 1999. Com o crescimento, a escola exigiu um espaço maior, alugando assim um edifício de 12 andares no bairro do Paraíso. Em outubro de 2003, Claudio Haddad e seus sócios Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto da Veiga Sicupira se tornaram os controladores exclusivos do Insper, ao adquirirem as participações dos demais sócios. Já em 2004, a filial de São Paulo é doada ao Instituto Veris, uma entidade sem fins lucrativos, e passa a adotar o nome IBMEC São Paulo. Com isso, se tornou uma instituição independente das outras filiais. Em 2009, o nome foi mudado novamente, para Insper. Em 2005, iniciou-se o planejamento de mudança para o novo campus, na Avenida Hélio Pellegrino, no bairro de Vila Olímpia, e em janeiro de 2006 o campus é inaugurado.

Claudio de Moura e Castro:  Formou-se em economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com especialização pela Fundação Getúlio Vargas, mestrado pela Universidade de Yale e doutorado pela Universidade Vanderblit. Foi economista sênior do IPEA e lecionou na PUC/RJ, na Universidade de Chicago, na Universidade de Brasília, em Genebra e em Borgonha (Dijon). Coordenador do Projeto Educacional e Desenvolvimento, Programa ECIEL (1974-79), ele foi diretor geral da CAPES e secretário-executivo do Centro Nacional de Recursos Humanos do IPEA.De 1986 a 1992 chefiou uma unidade de pesquisa e política de formação profissional na Organização Internacional do Trabalho, em Genebra. Desde 1992, trabalha no Banco Mundial, em Washington, como economista sênior na área de recursos humanos, focalizando os países do Leste Europeu, Ásia Central e o mundo árabe. Atividades: Educador; Membro do Conselho de Administração e Presidente do Conselho Consultivo do Inhotim; Assessor Especial da Presidência do Positivo Membro do Conselho do Instituto Social Maria Telles (ISMART); Articulista da revista ”Veja”; Ex-Presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras

Luís Carlos de Menezes:  Bacharel em Física (Universidade de São Paulo -1967), Mestre em Física (Carnegie Mellon University -1971), Doutor em Física (Universitat Regensburg -1974), Professor do Instituto de Física e orientador do programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-graduação Interunidades em Ensino de Ciências da Universidade de São Paulo. Atua na área de Educação, em formação de professores, ensino básico, ensino de física e de ciências. Atualmente é articulista da Revista Nova Escola (Fundação Victor Civita). É membro do Conselho Técnico Científico da CAPES para Educação Básica e membro da equipe da UNESCO do Projeto de Currículos Integrados no Ensino Médio.

Eunice Ribeiro Durham:  Foi Coordenadora do NUPES- Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior da USP – 1989-2005.Pesquisadora e membro do Conselho do NUPPS- Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP – 2005 até presente data. Ex-Membro do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Ensino Superior – 1997 – 2001. Ex-Presidente da Fundação CAPES – 1990 – 1991. Ex-Secretária Nacional de Educação Superior do Ministério de Educação- 1992. Ex-Secretária Nacional de Política Educacional do Ministério de Educação – 1995 – 1997 na gestão Paulo Renato C. Souza no MEC.

Mozart Neves Ramos: Presidente-executivo do Movimento Todos pela Educação composto por um Conselho de Governança presidido por Jorge Gerdau Johannpeter. Os membros do Conselho mostram a intrincada relação com a iniciativa privada, incluindo a indústria educacional, ONGs, mídia, etc. Os Membros do Conselho de Governança são : Ana Maria dos Santos Diniz ; Antonio Jacinto Matias; Beatriz Bier Johannpeter; Cesar Callegari ; Daniel Feffer; Danilo Santos de Miranda; Denise Aguiar Alvarez; Fabio Coletti Barbosa ; Gustavo Ioschpe; José Francisco Soares; José Paulo Soares Martins; José Roberto Marinho; Luís Norberto Pascoal; Luiz Paulo Saade Montenegro; Maria Lucia Meirelles Reis; Milú Villela; Mozart Neves Ramos; Ricardo Young da Silva; Viviane Senna; Wanda Engel Aduan.

Maria Helena Guimarães de Castro: É docente afastada do Departamento de Ciência Política da UNICAMP. De 1994 até 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso, foi presidente do INEP, responsabilizando-se assim pela viabilização do assim-chamado “provão” (cujo nome oficial é Exame Nacional de Cursos).  Foi secretária de Estado do governo Alckmin, em São Paulo. Em janeiro de 2003, assumiu a secretaria de Educação do Distrito Federal, à posse do governador José Roberto Arruda. No mesmo ano, porém, voltou a São Paulo, para dirigir a Secretaria de Educação desse Estado, da qual foi exonerada em março de 2009. Sucedeu-lhe neste último cargo seu antigo superior no Ministério da Educação do governo FHC, o deputado federal Paulo Renato Souza.

Rubem Klein – consultor da Fundação Cesgranrio, prestadora de serviços do INEP na realização de avaliação de larga escala.

Reynaldo Fernandes: Formado em Economia, Professor da USP e ex-presidente do INEP no governo Lula.

José Francisco Soares: Presidente do Conselho Consultivo da Empresa Avalia, Grupo Santillana. A Avalia é uma empresa privada que opera no campo da avaliação de redes e de escolas.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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Uma resposta para Os novos reformadores: antecedentes do “Manifesto” (I)

  1. Monica disse:

    Que pessoas bem intencionadas c a formação de mão de obra barata e desqualificada. Assim mantém seu status quo!!!!! Simplimente nojento.
    Nossa burguesia são um bando de imbecis parasitas!!!

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