O ex-ministro Fernando Haddad assume hoje a prefeitura da maior capital brasileira: São Paulo. Seu secretário de educação será Cesar Callegari. Mesmo antes de ser nomeado Callegari já avisou, em entrevista ao IG, que:
“A política de premiação de professores com bônus financeiros, implantada em São Paulo em 2011 , não faz parte dos planos da nova equipe de governo municipal. Em entrevista exclusiva ao iG , em vídeo, o novo secretário, Cesar Callegari, afirma que os bons trabalhos merecem ter visibilidade, para servir de exemplo para outros, mas sem dividir as equipes em “perdedores e vencedores. Apenas imaginar que professores trabalharão bem se tiverem prêmio não é nosso conceito.” Leia aqui.
Boas falas. Educação não é mercado, onde é normal o conceito de ganhador e perdedor. Educação só pode ter ganhador. Importar a lógica de mercado conduz a oficializar a noção de perdedor e não a impulsionar ganhadores. Amplia a segregação: seja em New York, seja no Brasil.
A postura também deve guardar relação com o projeto que o PT tem para Haddad em São Paulo. De fato, ou o PT se diferencia do PSDB ou, em dois anos mais, quando chegarem as eleições para governador, os projetos se confundirão. Por exemplo: no atual governo do Estado de São Paulo, Alckmin dá prosseguimento – na verdade sem muito convencimento – à política de bônus que encontrou. Haddad terá que se diferenciar desta política ou assinalará que é tudo igual.
Não acredito que ele seja candidato ao governo do Estado. Ali já há uma fila. Acho que Lula poderia furar a fila e coloca-lo lá, mas teria que lidar com o desgaste de abandonar o mandato ao meio. Além disso, Haddad precisa se consolidar como administrador público com mandato. Porém, os resultados da gestão Haddad estarão sendo debatidos em dois anos mais nas eleições para governador, independentemente dele ser ou não candidato.
Isso nos leva ao segundo ponto. Conhecemos Haddad do Ministério da Educação. Com divergências que sempre foram explicitadas neste blog, acho que no geral a administração de Haddad ajudou a segurar a ala mais radical dos reformadores empresariais da educação – o pessoal que defende bônus para professor, administração terceirizada de escola pública, etc. E isso se mostra verdadeiro agora em São Paulo quando anuncia o fim do programa de bonificação para a rede municipal.
Mas, como também já anunciou, aí vem Parceria Público Privada. A cidade está quebrada, os resultados precisam ser visíveis em dois anos (nas próximas eleições) e portanto, há que viabilizá-los. Lembro-me de uma entrevista dada por Haddad onde dizia que era favorável à iniciativa privada somente nas atividades meio e não nas atividades fim.
E é aí que a figura de Gerdau entra em cena através de seu indicado à Secretaria de Finanças do município, Marcos Cruz, ex-sócio da consultoria Mckinsey. Gerdau é o presidente do Movimento todos pela Educação. Ele coordena um grupo de empresários com muito dinheiro para ser aplicado nas ideias que eles defendem. Não li nada que indicasse de imediato parceria público privada na educação. Mas não acho que passe ilesa. O Ideb da cidade caiu e certamente um dos resultados esperados é sua elevação. Mesmo que para Callegari isso não seja o ponto fundamental. Ele tem dito que:
“O nosso objetivo não é atingir a meta do Ideb. O nosso objetivo é muito maior que isso: é garantir que toda criança, todo jovem, todo adulto que dependa da educação oferecida pela rede municipal tenha uma educação de boa qualidade”. Leia aqui.
Então, está bem. Vamos torcer e aguardar por uma política educacional no município de São Paulo que contraria a política educacional do governo estadual. Se for assim, a briga promete.