Charters: significativamente insignificantes

O National Education Policy Center revisou o estudo do  Center for Research on Education Outcomes (CREDO) da Universidade de Stanford publicado em 25 de junho de 2013.

Com o nome provocativo de “Os achados significativamente insignificantes do CREDO” a revisão mostra que as escolas charters privatizam a educação e não são diferentes das escolas públicas que procuram substituir. A revisão é de 16 de julho de 2013 e abaixo segue um resumo do estudo.

 “O Center for Research on Education Outcomes (CREDO) da Universidade de Stanford analisou as diferenças de desempenho dos alunos de escolas charter e escolas públicas de 27 estados americanos e de New York City. O estudo constata um pequeno efeito positivo devido ao aluno estar em uma escola charter nas pontuações de leitura e nenhum impacto sobre as notas de matemática; ele apresenta estes resultados como uma melhora relativa na média da qualidade das escolas charters desde o estudo da CREDO realizado em 2009. No entanto, há importantes razões para cautela na interpretação destes resultados. Algumas preocupações são técnicas: a técnica estatística utilizada para comparar os alunos charters com “gêmeos virtuais” em escolas públicas permanece insuficientemente justificada, e não pode controlar de forma adequada “efeitos de seleção” (ou seja, as famílias que escolhem uma escola charter podem ser muito diferentes daquelas que não o fazem). A estimativa do “crescimento” (expresso em “dias de aprendizagem”) também não está suficientemente justificada, e os modelos de regressão não conseguem corrigir duas violações importantes das suposições estatísticas. No entanto, mesmo deixando de lado todas as preocupações com os métodos de análise, o resultado global mostra que menos de um centésimo de um por cento da variação no desempenho do teste é explicável devido à matrícula ser em escolas charters. Com um tamanho de amostra muito grande, quase qualquer efeito será estatisticamente significativo, mas, na prática, estes efeitos são tão pequenos que podem ser considerados triviais.”

Ou seja, não há nenhuma razão para os países apostarem as suas fichas na privatização da educação. O modelo de mercado continua não dando os resultados prometidos pelos reformadores empresariais.

O estudo do CREDO está aqui.

E a revisão NEPC está aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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