INEP, ABAVE e Todos pela Educação selam acordo

 “Francisco Soares; Ruben Klein, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional, e Priscila Cruz, diretora-executiva da organização Todos pela Educação, assinaram nesta semana um termo de compromisso para que o Inep traduza, de forma pedagógica, os resultados da Prova Brasil. “Queremos que a Prova Brasil dê um passo na direção da escola”, diz Soares.”

 Leia aqui.

A visão é ingênua pois parte-se da ideia de que o problema restringe-se ao fato de que os dados não chegam ou chegam inadequadamente. Mas é muito mais complexo. Com esta filosofia, somente vão gastar mais dinheiro inultimente.

O problema maior é que não há uma instância mediadora NA ESCOLA que possa “consumir” os dados a partir de uma aclimatação dos mesmos aos valores específicos das variáveis envolvidas no processo pedagógico local. Isso implicaria em desenvolver estruturas específicas de envolvimento da escola com os dados, algo que está muito longe das preocupações dos atuais dirigentes.

ABAVE e Todos pela Educação não têm experiência com escolas. São as redes de ensino que detêm esta “tecnologia” e conhecimento. No máximo vão processar variáveis e entregar a ONGs a atuação nas escolas, ou então, elaborar relatórios que por mais didáticos que sejam não conseguem galvanizar a comunidade local.

Claro que bons relatórios são importantes. Fazemos isso mal. Mas não basta. Quando se diz que o foco é o aluno, a escola, isso implica em como fazer com que os dados sejam analisados localmente pelos professores, gestores e alunos. Os meios para isso ainda não estão desenvolvidos adequadamente na pesquisa, até porque esta filosofia colide com o enfoque usualmente aplicado por estas organizações que é o da vigilância da escola e sua punição por vias meritocráticas.

Na outra ponta está o fato de que a operação das escolas de ensino básico é tarefa dos Estados e Municípios e não do governo federal. Os resultados das avaliações precisam ser amarrados a ações dos governos estaduais e municipais e estes têm suas próprias avaliações.

Se a ideia de fazer chegar o dado é parte da solução, o caminho adotado está bem longe de produzir os efeitos esperados.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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