Interesses, fé e evidências

Diane Ravitch divulga artigo de Arthur Camins, Diretor do Center for Innovation in Engineering and Science Education, Stevens Institute of Technology: “Reforma da Educação – reivindicações de benefícios infundadas; efeitos colaterais não declarados.”

Navegando pelo nevoeiro criado pelos reformadores empresariais da educação em relação à qualidade da educação e suas receitas milagrosas, os educadores profissionais precisam retomar estas temáticas e mostrar a fragilidade das reivindicações feitas por aqueles, como forma de orientar a formulação das políticas educacionais.

Mais uma vez aponta-se a falta de evidência empírica das soluções alardeadas pelos reformadores. Interesses políticos e comerciais de grupos estão ocultos na fé com que estes divulgam seus remédios educacionais.

Aqui vai um pequeno trecho de sua argumentação:

“Comerciantes de drogas distraem com sucesso a atenção dos clientes desconfiados dos efeitos colaterais deletérios, com imagens de pacientes saudáveis saltitando através de campos floridos e famílias sorridentes. Da mesma forma, os defensores de um sistema de ensino orientado para o mercado contam histórias convincentes de exemplos e de flagrantes melhorias de incompetência. No entanto, eles estão livres para fazer alegações infundadas e esconder os efeitos colaterais de suas medidas de melhoria viesadas porque nenhuma lei exige a verdade no marketing educacional.”

“Uma arma no arsenal dos adversários das políticas atuais [política dos reformadores empresariais] tem sido a de apontar a ausência de evidência empírica. Na verdade, não existe um sistema dentro dos EUA ou ao redor do mundo que tenha feito progressos substanciais sistêmicos através de escolas charters, pagamento por mérito ou responsabilização orientada a testes. A resistência está crescendo, mas até agora esta linha de ataque não construiu o suficiente entendimento generalizado do público para deter os responsáveis políticos. Talvez seja porque os defensores destas políticas têm efetivamente obscurecido seus objetivos e valores reais.”

O texto de Camins prossegue examinando:

“Primeiro, vamos olhar se estas políticas de educação priorizam o progresso individual em detrimento do bem comum. Esta não é uma contraposição nova. Individualismo e responsabilidade social têm estado em tensão ao longo da história dos EUA. Em seguida, vamos examinar se estas políticas demonstram confiança na governança democrática. Mais uma vez, a contraposição entre a confiança em peritos auto-nomeados versus confiança nas pessoas não é nova. O que determina qual perspectiva é ascendente no nível político é quem tem influência e como eles definem os seus interesses. Quando o público está confuso, os interesses de poucos sempre ganham. Precisamos virar esse jogo.”

Poderíamos agregar outras batalhas a serem dadas, mas esta, especificamente, cabe à academia e às entidades científicas.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Responsabilização participativa, Responsabilização/accountability e marcado . Guardar link permanente.

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