Máquinas de preparação para teste

Há muito que se alerta para o fato de que os exames criam uma tradição de estudos que estreita o currículo. Isso se deve, entre outras coisas, à concepção de que notas altas são sinônimo de boa educação. Falso, obviamente. Mas faz com que se estude apenas aquilo que cai nas provas. Ao se transformar o ENEM em exame de ingresso, ele foi corrompido como instrumento de diagnóstico do ensino médio.

A outra consequência é a preparação para os testes ao invés de efetivo estudo e formação.

O Estado de SP acaba de oficializar a preparação para o teste como boa educação.

Os alunos da rede contam agora com uma assessoria on line personalizada para se sair bem no ENEM. Veja aqui também.

“Os 415 mil alunos do terceiro ano do ensino médio da rede estadual de São Paulo poderão acessar a partir de segunda-feira, 25, uma plataforma online com conteúdo de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), cujas inscrições abrem nesta segunda feira. A ferramenta, que oferece plano individualizado de estudos, foi desenvolvida pela Geekie, startup de tecnologia aplicada à educação.”

A empresa não cobra nada do Estado, pelo menos por enquanto. Certamente de olho no mercado nacional, já que o Pátria Educadora vem aí…

Segundo a empresa, cada aula assistida aumenta 1,6 pontos na nota do ENEM. no total pode ter até 250 pontos. (Quer saber como a Geekie pode ajudar seus alunos a melhorarem em média 250 pontos na redação do ENEM? Vem!).

A educação nas mãos de empresários.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Enem, Privatização, Responsabilização/accountability e marcado . Guardar link permanente.

3 respostas para Máquinas de preparação para teste

  1. Pingback: MÁQUINAS DE PREPARAÇÃO PARA TESTE | Grupo de Estudos e Pesquisa em Avaliação e Organização do Trabalho Pedagógico

  2. Corina Lucia Costa Ramos disse:

    A concentração de esforços de desempenho pelas escolas de ensino médio no ENEM reifica um exame em detrimento da educação, estreitando o currículo, conforme foi colocado pelo professor Luiz Carlos. Na minha percepção, há três estágios de estreitamento da vida do estudante na educação formal, segundo o atual sistema escolar. Por volta da segunda série do ensino fundamental, as crianças começam a serem tratados como indivíduos numa sala de aula e inicia o processo de formatação (começa a morte da cratividade e diminui o tempo livre). O outro estágio ocorre ao iniciar a segunda fase do ensino fundamental, quando inicia o processo de fragmentação (começa a morte da visão integrada do mundo com o currículo por disciplinas ). O terceiro estágio é o final do ensino médio, com o estreitamento da cultura do jovem e desaparecimento do tempo livre (começa o adestramento para o ENEM).

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