Para animar: reação que vem da rua

O estrago da política dos reformadores empresariais no Chile é visível. A primeira parte da reforma para reverter esta situação foi aprovada em Janeiro, mas estudantes e professores querem mais.

“Nos anos 80, ainda sob a ditadura militar, o país criou um sistema em que o governo passou a bancar o ensino de crianças e jovens não importando se elas estavam matriculadas em escola públicas ou particulares.”

A mudança provocou uma saída em massa de alunos do sistema público, a cargo dos municípios. A cobertura do sistema público caiu de 80% dos estudantes em 1981, para apenas pouco mais de um terço.

“Mas isso também produziu uma enorme desigualdade. Para ter acesso às melhores escolas, os alunos passaram a ter que se submeter a seleções rigorosas, além de pagar uma mensalidade adicional.”

Os mais pobres ficaram portanto excluídos do sistema.

A reforma de janeiro impede que escolas privadas que recebem dinheiro público apliquem processos seletivos aos estudantes como forma de ingresso. Elas também estão proibidas de lucrar com a atividade. No Chile, com a política dos reformadores empresariais, hoje apens 40% estudam gratuitamente em escolas e as universidades são todas pagas. Bachelet tem feito avanços na recomposição do sistema público.

Mas no Congresso nem tudo tem sido avanço. Uma lei tramita permitindo que se vincule os aumentos de salários dos professores a avaliações periódicas de desempenho em um projeto de lei que regulamentará o exercício da docência.

Os professores estão em greve. Semana passada, 120 mil estudantes, apoiados por professores, protestaram em Santiago do Chile intensificando a pressão.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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