Seattle: somos nós amanhã

Os professores da Associação dos Educadores de Seattle (USA) decretaram greve por unanimidade. A foto do SeattleEducation é impressionante:

SeattleFoto

Ao impormos as políticas dos reformadores empresariais aos professores de Goiás, Pará, Rio Grande do Sul, Minas, São Paulo entre outros estados, estamos apenas introduzindo políticas que nos transformarão em muitas Seattles no Brasil, uma enorme energia que poderia ser gasta de outra forma, por exemplo, na própria construção da educação pública brasileira baseando-se em princípios de responsabilização participativa.

Com essas políticas, serão milhões e milhões de reais que sairão dos cofres públicos para o bolso de Organizações Sociais, deixando de serem aplicados diretamente na própria melhoria da escola pública.

Não haverá equidade, nem democracia sem escola pública de gestão pública.

Eis as razões da greve em Seattle:

“Pagamento profissional: precisamos atrair e manter educadores qualificados em Seattle, que é uma das cidades mais caras nos Estados Unidos.

Garantia de recreio para os estudantes: O tempo destinado ao descanso dos alunos varia muito em todo o distrito, e nós acreditamos que todos os alunos se beneficiarão de um tempo que assegure poder jogar e exercitar-se. (Hoje os recreios são de 15 minutos, os professores querem que tenham 30-45 minutos).

Avaliações justas para professores e funcionários: Os educadores devem ser avaliados de forma justa e de forma consistente, e o foco deve ser apoiar todos os educadores que precisam ser bem sucedidos.

Testes razoáveis: Demasiados testes padronizados roubam muito tempo da aprendizagem em sala de aula.

Alívio da carga de trabalho: O pessoal docente auxiliar proporciona aos alunos serviços essenciais e apoio, mas a atual sobrecarga de trabalho faz com que muitos estudantes não estejam recebendo a ajuda de que necessitam.

Alívio da carga de trabalho dos profissionais de escritório: Profissionais de escritório fazem um trabalho crucial e desempenham muitos papéis – e eles devem ser recompensados ​​pelo trabalho extra que fazem.

Equidade: Temos de nos concentrar em questões de equidade em toda as escolas de Seattle, e não apenas em seis delas.”

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Avaliação de professores, Escolas Charters, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Seattle: somos nós amanhã

  1. Pingback: SEATLE: SOMOS NÓS AMANHÃ | Grupo de Estudos e Pesquisa em Avaliação e Organização do Trabalho Pedagógico

  2. Leonardo disse:

    Professores de Seattle entram no quinto dia de greve por melhores salários e contra testes em larga escala: http://www.democracynow.org/2015/9/15/seattle_strike_enters_fifth_day_as

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