OBAMA e o futuro da [nossa] avaliação – final

Como registramos em post anterior, o documento do Conselho das Grandes Cidades americanas sobre avaliação levou à reação de Obama que anunciou mudanças na política de avaliação das escolas nos Estados Unidos que segundo os analistas procurarão resolver estes problemas. Para alguns, de fato, a encenação se deve à proximidade das eleições americanas. Mas para outros há mais em jogo: a emergência de uma nova geração de sistemas de avaliação.

Diz Obama no documento:

“Em muitas escolas, há testes desnecessários e sem clareza suficiente quanto aos propósitos de seu uso na tarefa de avaliar os alunos, consumindo muito tempo de instrução e criando tensão indevida para educadores e estudantes. A Administração tem alguma responsabilidade por isso, e estamos empenhados em ser parte da solução.

Ninguém se propôs a criar situações onde os alunos passam muito tempo fazendo testes padronizados ou onde os testes são redundantes ou deixam de fornecer informações úteis. No entanto, estes problemas estão ocorrendo em muitos lugares – efeitos não intencionais de políticas que visam fornecer informações mais úteis para educadores, famílias, estudantes e formuladores de políticas e para garantir a atenção ao progresso da aprendizagem de alunos de baixa renda e de minorias, estudantes aprendizes do inglês, alunos com deficiência e membros de outros grupos que têm sido tradicionalmente pouco atendidos.

Estes objetivos estão certos, mas o apoio correto para a sua implementação tem sido inadequado, inclusive da parte desta Administração. Nós nos concentramos no incentivo para os Estados assumirem esses desafios e proporcionar-lhes flexibilidade. Um dos resultados dessa abordagem é que não temos prestado assistência suficientemente clara para a maneira de abordar cuidadosamente os testes e avaliação.”

Este é o mea-culpa que, diga-se de passagem, os educadores americanos estão considerando um engodo. As soluções propostas pela Casa Branca de Obama estão sendo percebidas pelos educadores como forma de se incentivar com recursos públicos a emergência de uma nova geração de avaliação que não esteja separada do próprio processo de aprendizagem e que faça a conexão entre grandes bases de dados sobre alunos/professores/escolas, sistemas de avaliação on line e sistemas digitais de aprendizagem.

A nova ferramenta é conhecida como “competency-based assessment” (“avaliação baseada em competência”) a ser desenvolvida de forma acoplada a bases de dados (big data) e a “digital learning” (“aprendizagem digital”).

Nas palavras do blog Educationalchemy:

“O dinheiro será direcionado para empresas privadas que serão contratadas pelos Estados para implementar serviços de educação e avaliação on-line. A afirmação chave aparece de novo: “o desenvolvimento de novos instrumentos de avaliação inovadores, tais como sistemas de avaliação acadêmicos baseados em desempenho e tecnologia”.

Veja como a aprendizagem do seu filho será avaliada nesta próxima geração:

‘Outros avanços irão garantir tecnologias de ensino e plataformas cada vez mais sofisticadas de aprendizagem e de sistemas de dados que não somente identificam as necessidades dos estudantes mais eficientemente, mas também mais efetivamente identificam e realizam as intervenções correspondentes a partir de repositórios com softwares adaptativos, entregam conteúdo e recursos digitais disponibilizados por um instrutor (online e face-a-face) não disponíveis por meios tradicionais. O amadurecimento da interoperabilidade de dados e padrões de portabilidade de conteúdo permitirá a educadores, estudantes e a aplicações de software montar cada vez mais originalmente, os melhores recursos personalizados para cada aluno’.”

Podemos discutir se isso chegará e quando chegará por aqui. Mas não devemos deixar de anotar movimentos feitos pelo MEC e pelo INEP nesta direção:

  1. Foi inaugurado no INEP o portal de devolutivas
  2. Especialistas de Harvard sobre big data, estiveram recentemente no INEP
  3. Inaugurou-se nesta semana o MECFLIX, uma plataforma de vídeos on demand, que procura integrar aulas com conteúdos do ENEM, avaliação de desempenho e tabelas de exercício.
  4. O ENEM está pautado para se transformar em avaliação digital

Juntem tudo isso e façam suas apostas…

Esta perspectiva, caso se concretize, esta baseada em um conceito estreito de educação, reduzido a instrução. Para tal conceito, também não são necessários “professores” mas sim simples instrutores ou “animadores” on line.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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