SP: com mais de 80 escolas ocupadas resistência cresce

No dia de hoje a Secretaria de Educação reconheceu que 74 escolas estão ocupadas, mas as informações nas redes dão conta de mais de 80. A proposta de Alckmin vai sendo recusada na prática.

A Secretaria tentou emplacar uma proposta de discutir ainda em dezembro a reorganização com as escolas mantendo a implantação do programa em 2016. No entanto, a proposta dos estudantes de não fechar escolas e discutir durante o próximo ano a reorganização aparece como a mais sensata no momento. A outra alternativa será o governo reprimir o movimento com força policial e esvaziá-lo, mas isso traria consequências políticas que Alckmin talvez não queira.

Ele se prepara para ser candidato em 2018 à presidência da república e isso seria péssimo para seu curriculum de governador. Se for por este caminho, ao invés da reorganização abrir possibilidade para que ele apresente algum resultado na educação que o cacife a presidente, vai jogar contra nos programas eleitorais da campanha. O eventual ganho seria neutralizado pelas perdas midiáticas.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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2 respostas para SP: com mais de 80 escolas ocupadas resistência cresce

  1. DIOGO TOBIAS FILHO disse:

    Parabéns aos filhos do povão que ocupa e resiste às ideias imbecis desse governador, cujo partido não gosta de pobre. Agora é se mobilizar e despachar o PSDB de vez e pra sempre do governo de São Paulo.

  2. M. Estela S. Betini disse:

    Em si nada contra a reorganização necessária das escolas públicas paulistas, para que se tenha uma arquitetura adequada com objetivo de desenvolver a educação de nossas crianças e adolescentes, para que haja maiores condições de trabalho aos docentes, alunos e funcionários, para que as pessoas possam permanecer, com prazer, mais tempo dentro das escolas em período integral, para que as crianças e adolescentes tenham espaços adequados para as diversas atividades educacionais: salas de jogos, de trabalho, de pesquisas, de artes (como música, dança, artes plásticas) de leitura, para assembleias, de tecnologia, enfim para que todo processo educacional possa ser desenvolvido. Essa reorganização é necessária, pois nossas escolas não apresentam essas características. Faz-se necessário, entretanto, PLANEJAMENTO a curto, médio e longo prazo e nesse prever: diálogo com a comunidade escolar para saber qual a melhor forma de atender os anseios da comunidade em seu entorno, dos pais, dos professores; principalmente de se ter as condições de formar o ser social para atuar na sociedade, objetivo maior da escola existir. No diálogo, separa-se o que são exageros de cada lado, desde que o princípio maior seja as condições para educar e não interesses particulares. Para o diálogo é necessário competência educacional, competência teórica e prática e não imposição.
    Não se pode mesmo aceitar essa reorganização incompetente do governo paulista, que não sabe dialogar, que tem outros objetivos na reorganização. Possivelmente prepara-se para uma privatização e/ou para deixar o ensino fundamental aos municípios. Por lei esse nível de ensino é de competência compartilhada entre municípios e estados.
    A solução para a sociedade aceitar novamente as privatizações está sendo preparada, inclusive nas propagandas partidárias. Deixa-se tudo estar no fundo do poço e ai vem a solução mágica da privatização, como ocorreu nos anos de 1990. Propagava-se que o governo não tinha como sustentar as empresas estatais que eram um “saco sem fundo” de tantos gastos. O ocorreu com a privatização das estatais pode ser um alerta.

    Lembro aqui apenas da privatização da Vale do Rio Doce, e o que ocorre agora. Alguns dados da época trazidos por Aloysio Biondi, jornalista econômico investigativo esclarece:

    “A Vale do Rio Doce foi entregue a Benjamin Steinbruch com 700 milhões de reais em caixa, segundo noticiário da época”, portanto não era deficitária.
    “A Vale do Rio Doce, antes mesmo da sua privatização, já era a maior exportadora de minério de ferro do mundo. E uma de suas empresas subsidiárias, a Docegeo, pesquisou e fez um mapeamento dos minerais existentes no Brasil inteiro. Foi convidada a realizar pesquisas equivalentes em outros países. Graças à sua tecnologia, a Vale do Rio Doce descobriu, em plena selva amazônica, em Carajás, a maior província mineral do mundo, com jazidas não só de ferro, mas de grande variedade de minérios, inclusive ouro…”
    Anunciava-se que a privatização seria a solução para a crise brasileira, entretanto, a mesma trouxe aumento da dívida externa quando inclusive a Vale do Rio Doce privatizada fez empréstimos de “1 bilhão de dólares do National Bank” portanto no exterior para comprar a Ligh (sempre que uma empresa toma empréstimo fora nossa dívida externa aumenta). O resultado das privatizações sabe-se, anuncia Biondi: houve “o ‘estouro’ das contas do Tesouro provocado pelos juros, mais recessão, perda do crédito internacional, mais crise – e acordo com o FMI”. E não a salvação das contas do governo, como se anunciava. O próprio Pedro Malan ministro da fazenda de FHC quando cobrado pelo FMI por não ter cumprido as metas estipuladas responde por carta que “o governo deixou de contar com os lucros que as estatais ofereciam como contribuição para cobrir o rombo até serem vendidas”, portanto a privatização não foi a solução, mas um problema a mais aos brasileiros”. (BIONDI. Brasil Privatizado: um balanço do desmonte do estado. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003)

    Hoje temos os resultados da privatização da Vale do Rio Doce com o maior desastre ecológico hídrico da historia brasileira. A empresa não cuidou do meio ambiente e não desenvolveu planos para situações emergenciais, mesmo com o alerta de que o rompimento poderia ocorrer. Exime-se da sua responsabilidade social e ambiental, impera a ganancia. Não foi uma solução a privatização, mas um problema muito maior, a morte do Rio Doce.

    Esse é apenas um exemplo da área econômica. Podem imaginar o tamanho do problema que irá ocorrer na educação brasileira com a privatização da educação? O que ocorreu em outros países, como o blog do Luiz tem apresentado será apenas uma parte do que irá ocorrer aqui. Comparando a privatização de empresas estatais como a Inglaterra, Itália, França a realizaram e como ocorreu no Brasil no governo de FHC e se terá o tamanho do problema. Em terras do além-mar, e se diga, neoliberal (não a justificando), mas o povo participou da compra das ações das empresas estatais na privatização. E grandes grupos econômicos não puderam participar majoritariamente. O oposto do que ocorreu no Brasil em que as grandes empresas “internacionais” tiveram prioridade na compra, até com ajuda do BNDES. Por quê? Pergunta a ser respondida.

    Conclui-se que, a questão não é ser só contra o governo paulista, mas contra todos os partidos que pregam a privatização no Brasil. Deixa-se a situação das empresas e escolas públicas piorarem, ir ao fundo do poço, e ai com a ajuda da grande mídia se propaga que a solução é a reorganização, a privatização e outras soluções esdrúxulas, quando os objetivos são outros e nem todos transparentes.

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