Goiás: Revista Época confunde leitores

A Revista Época confunde seus leitores e coloca os inúmeros problemas das escolas charters como sendo uma questão de “boa regulação”. É como se o Brasil pudesse encontrar formas melhores de regulação do que as que foram tentadas ao redor do mundo.  No entanto, a questão é conceitual e não de regulação.

São os conceitos que estão errados pois eles foram pensados para ambientes competitivos de mercado e não para ambientes colaborativos como devem ser os educacionais. Transferir conceitos baseados na competição não funciona porque a educação não é como o mercado onde existem (com naturalidade) ganhadores e perdedores. Na educação só podem existir ganhadores. É por isso que não funciona criar um parque educacional privado para competir entre si mesmo e com a educação pública regular.

Como fartamente temos demonstrado neste blog, os estudos não são nada conclusivos o que os impede de serem usados para política pública. (Veja aqui também.) Os efeitos colaterais deletérios desta fé na “desestatização” estão amplamente documentados na literatura. A Revista os minimiza e os subestima, quando não os oculta.

As pesquisas do CREDO e do Center for Public Education podem ser vistas aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, bem como os limites destes estudos também estão registrados na literatura citada.

A revista compra a ideia pelo valor de face do mercado ao invés de aprofundar-se na qualidade dos estudos que cita e analisa-los. O caso da Suécia pode ser apreciado aqui, vendo-se os resultados deste país no PISA.

Material sobre fraudes persistentes neste tipo de privatização também pode ser encontrado aqui e aqui, ou então diretamente no site sobre escândalos nas charters.

No caso chileno, o modelo privatizante produziu a maior segregação escolar. É bem conhecido o fato das charters evitarem pobres e pessoas com necessidades especiais e em muitos relatórios que mostram a superioridade das charters os estudantes não são comparáveis, entre outros aspectos, quanto ao seu nível socioeconômico.

Um resumo destes dados pode ser encontrado também aqui. Dois exemplos:

1. – estudo do CREDO, de 2009 envolvendo 2.403 charters, mostra que 83% das escolas charters têm desempenho igual (46%) ou inferior (37%) às escolas públicas regulares. Apenas 17% consegue ser melhor.

2. – estudo do CREDO de 2013 e do Center for Public Education de 2015 mostra que apenas uma em cada quatro escolas charters vai além do que as escolas públicas regulares conseguem obter com seus alunos.

Não há elementos suficientes para que se faça política pública com estas ideias, a não ser a fé que a Revista tem na iniciativa privada.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Goiás: Revista Época confunde leitores

  1. Mas como costuma dizer professor, evidências empíricas não importam para políticas educacionais brasileiras.

  2. povolerida disse:

    Veja essa coisa de deus! Acho que seja a versão 2000 do Julinho da Adelais, avaliem.

    Att. Lérida Povoleri PET/Economia UFF “*A lei do governador Mario Cuomo, de Nova York: “Faz-se campanha em poesia e governa-se em prosa”.*

    *A lei de John Kenneth Galbraith: “A política não é a arte do possível. Ela consiste em escolher entre o desagradável e o desastroso”.*

    *A lei de Getúlio Vargas: “Os ministérios se compõem de dois grupos. Um formado por gente incapaz, e outro por gente capaz de tudo”.”*

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