Common Core americano: modelo para o Brasil?

O Brasil anda namorando a noção de base comum corrente nos Estados Unidos ou seja, uma base somente para as disciplinas consideradas mais importantes e que caem nos exames (Common Core).

A base referente ao ensino médio foi retirada do debate imediato brasileiro, aguardando mudanças no modelo de ensino médio que será diversificado em sua terminalidade. O MEC admite que só o primeiro ano do ensino médio será comum, o que deixa aberta a possibilidade de que para os demais anos ele possa adotar o modelo do Common Core americano.

Pior do que fazer uma base nacional para todas as disciplinas, seria fazer apenas para algumas delas, decretando sua superioridade perante as outras e induzindo estreitamento curricular no ensino das escolas e na formação da juventude.

O Common Core é uma base nacional que inclui apenas linguagens e matemática. Um grupo autônomo fez também a base nacional para ciências. Estas disciplinas são as que caem no PISA.

O Brasil parece estar assumindo que esta é uma boa proposta. Mas não é o que todos os americanos acham do Common Core. Valerie Strauss analisa a questão:

“Por anos, o Common Core têm estado no centro de uma controvérsia nacional sobre a educação pública. Os defensores dizem que os padrões que estão em uso na maioria dos estados vão melhorar a educação pública, elevando os padrões que antes tinham sido referência para os estados. Os críticos dizem o contrário; no início deste ano, por exemplo, mais de 100 pesquisadores em educação na Califórnia divulgaram coletivamente uma pesquisa dizendo que não há provas “convincentes” de que o Common Core irá melhorar a qualidade da educação para as crianças ou fechar a lacuna de desempenho entre elas. (Eles também acusam os testes ligados ao Common Core de não terem “validade, confiabilidade e nem serem justos.”) ”

Leia mais aqui.

Segundo os pesquisadores da California:

“Embora os proponentes argumentem que o Common Core promove habilidades de pensamento crítico e aprendizagem centrada no aluno (em vez de aprendizagem mecânica), a pesquisa demonstra que as normas impostas, quando ligadas com testes de alto impacto, não só desprofessionalizam o ensino e estreitam o curriculum, mas ao fazê-lo, também reduzem a qualidade do ensino e aprendizagem do aluno, seu envolvimento e sucesso. O impacto também está no bem-estar psicológico do aluno: sem um entendimento de que não há provas de que as pontuações dos testes são válidas ou justas para a determinação de proficiência ou prontidão para a faculdade, os alunos e seus pais acabam interiorizando rótulos de fracasso com as respectivas crenças correspondentes sobre o seu potencial acadêmico.”

Esta crítica serve não apenas para o eventual Common Core aplicado ao nosso ensino médio, mas também para toda a Base Nacional Comum Curricular que estamos aprovando para o ensino infantil e fundamental.

Por isso, somos contra a elaboração de bases nacionais (curriculares e de formação de professores) cuja destinação seja produzir avaliações padronizadas. Já possuímos as Diretrizes Nacionais Curriculares aprovadas anteriormente pelo Conselho Nacional de Educação e que foram produzidas para orientar os estados e municípios e não para enquadrá-los em avaliações estreitas.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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