Ravitch a Zuckerberg: saia da “câmara de eco” da reforma

Diane Ravitch divulga carta que escreveu a Mark Zuckerberg e sua esposa Priscilla Chan, dono do Facebook, e que tem feito ações filantrópicas doando recursos para implementar a causa das escolas charters e outras ideias dos reformadores empresariais nos Estados Unidos. Ela escreve que os reformadores vivem em uma câmara de eco onde só ouvem a si mesmos e recomenda que Zukerberg saia dela:

“Eu espero que você não se importe em receber alguns conselhos não solicitados de alguém que você não conhece. Estou escrevendo porque você tem os recursos e a energia para fazer uma diferença real nas vidas de milhões de crianças e famílias, bem como dos seus professores e escolas. Sua grande riqueza pode ser desperdiçada, como foi em Newark, onde seu presente de $ 100.000.000 desapareceu em um buraco muito escuro e não fez nada para as crianças daquela cidade. Ou a sua grande riqueza pode ser usada para reforçar uma instituição que toca a vida da maioria das crianças: a sua escola pública.

Eu sou uma historiadora da educação americana. Eu costumava ser parte do “movimento de reforma”, mas depois de muitos anos, eu reconheci que as reformas, populares entre os decisores políticos, são inúteis e contraproducentes. Eu desertei do movimento de reforma, porque ele tem um diagnóstico errado e as soluções erradas. Eu não queria estar do lado errado da história. Eu espero que você também queira usar a sua influência para fazer uma diferença real na vida das crianças, em vez de engordar a grande máquina de reforma que serve a si mesma, que já está inundada de milhões e milhões de dólares, todos perseguindo as mesmas ideias falhas.

Você precisa entender que os reformadores vivem em uma câmara de eco. Eles falam um com o outro, eles contam uns aos outros as mesmas histórias, eles não aprendem nada de novo. Eles têm certeza de que as escolas públicas americanas estão falhando, que os professores de escolas públicas são ineficazes, e que a aplicação constante de padrões, testes, punições e recompensas vai transformar a vida das crianças; eles acreditam que as escolas com resultados baixos nos testes devem ser privatizadas, devem se converter em escolas charters, e então, brevemente, não haverá mais pobreza. Essas suposições não correspondem à realidade. Padrões e testes não vão ajudar as crianças que normalmente estão com desempenhos menores. Os reformadores difamam uma instituição democrática vital e os milhões de professores que trabalham por baixos salários porque têm um sentido de missão.”

Leia a íntegra da carta aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability, Vouchers e marcado . Guardar link permanente.

2 respostas para Ravitch a Zuckerberg: saia da “câmara de eco” da reforma

  1. Espero que ela tenha enviado junto um exemplar de “Morte e vida do grande sistema escolar americano”, para que ele aprenda mais um pouco.

  2. Pingback: Diane Ravich solicita a propietario del Facebook que no apoye a la privatización educativa | CONTRACORRIENTE

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